São, sem dúvida, convidativos chamados para as traças aquelas fotografias de
nosso presidente e de alguns de seus aduladores-ministros ao lado dos irmãos
Castro, os donos de Cuba uma verdadeira farsa as explicações de nosso mandatário
maior sobre a carta que lhe foi endereçada por dissidentes cubanos e que se
negou a ler e uma tergiversação que não resiste a mais do que alguns segundos de
argumentos, ou, pensando bem, a mais do que um simples sobrenome – Zelaya - suas
declarações de que seu governo tem por norma “não se envolver em assuntos
internos de outros países”!
Que o ditador-irmão Raul Castro, com impressionante falta de criatividade, tenha
acusado os Estados Unidos pela morte de Orlando Zapata, de modo patético (não no
sentido usual de comovente, mas de patetola mesmo), é compreensível e faz parte
do estoque de mentiras de qualquer ditatorzinho que se (des)preze. Mas a
justificativa (?) do presidente Silva, que chegou a Cuba na terça-feira da
semana passada, horas após a morte do prisioneiro que preferiu morrer de fome a
continuar na prisão (pelo simples fato de discordar do regime servil que Cuba
vem, há mais de cinquenta anos, impondo a seus cidadãos), de que “lamentava
profundamente" o falecimento, ao mesmo tempo em que se esquivava
escorregadiamente de qualquer contato com os dissidentes que esperavam sua
intervenção, sinceramente, envergonha qualquer brasileiro – como, de resto,
qualquer pessoa que preze minimamente a dignidade humana e as liberdades
individuais!
O presidente Silva, que teve o bom senso, talvez forçado pelas circunstâncias,
de nomear para o Banco Central um homem pragmático e alheio a ideologias, é o
mesmo que persiste em tentar agradar a todos, mantendo-se refém dos radicais de
seu partido em termos de política fiscal, de defesa de pretensos “direitos
humanos”, de intervencionismo estatal na economia e, principalmente, de sua
política externa, comandada por nostálgicos defensores de um regime que, se nos
anos 50 e 60 ainda iludia muitos, hoje não passa de um pacote empoeirado e
bolorento de refrões e bordões, comprovadamente fracassados e completamente
ultrapassados.
Jogue fora, leitor, as fotos precocemente bolorentas de nosso presidente e seus
ministros ao lado dos chefes totalitários do Caribe. Não passam de reles troços
para as traças devorarem...