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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado
O LIMITE DO FORO DE SÃO PAULO
27 de novembro de 2009
Parece claro que os revolucionários congregados em torno
do Foro de São Paulo mudaram a fase de sua ação, acelerando o processo
histórico. Estão muito conscientes de que acumularam forças para ditar as regras
para os inimigos políticos. Lula, no Brasil, está ignorando qualquer limite de
ação. O depoimento do ex-diretor do Banco Central, Mario Torós, dando conta de
como transcorreu o processo de default do Unibanco foi irônico. Afinal, ninguém
mais fez pelo PT e Lula do que os banqueiros esquerdistas que o controlavam.
Foram impiedosamente sacrificados pela lógica revolucionária.
O mesmo vale para as notícias em torno da Cia Vale do Rio Doce. Pouco importa
que o atual administrador, o Bradesco, seja um aliado de primeira hora das
forças do PT. Eles não querem mais intermediários, querem sua própria gente à
frente das operações. Usam agora de todo o poder de coação, sobretudo do poder
fiscalizatório e policial do Estado, bem como do controle sobre os fundos de
pensão. A alta burguesia agora está sendo esmagada. Creio que esse processo vai
se agravar. A CONFECOM deve ser compreendida também dentro dessa lógica. As
empresas do setor sempre negociaram cordialmente com os revolucionários, sem
nenhum senso de perigo. Agora não têm a quem recorrer e estão sendo
inexoravelmente esmagadas.
As empresas tradicionais de conteúdo, sobretudo os jornais e TVs, sempre deram
apoio ideológico e foram o cabo eleitoral maior do PT. E agora? Agora vão saber
que alimentar revolucionários é como alimentar jibóia: ela cresce e come o dono.
O gesto mais notável da nova fase do processo pode ser plenamente visto na
política internacional. A visita do presidente do Irã foi emblemática, feita
contra qualquer critério de razoabilidade. Estamos diante de algo como Hitler
fez nos anos trinta, de um eixo Brasília-Teerã-Pequim, sem nenhum
constrangimento, ostensivo contra a política dos EUA. Nesse eixo incluo também a
França, país que também desempenhou o papel mais ridículo da história da Segunda
Guerra. De novo vemos os fatos se repetirem.
A medição de força está agora a acontecer em Honduras. Hoje a matéria de capa da
Folha de São Paulo trouxe o presidente Lula declarando que não reconhecerá as
eleições próximas, porque seu aliado Zelaya não foi reconduzido ao poder. Isso
significa que provavelmente o Foro de São Paulo vai se engajar na derrubada do
novo governo. Agora ficará claro para Obama que terá que tomar posição contra o
Foro, terá que entrar em conflito. Será que teremos que esperar que o Partido
Republicano retome o controle da Casa Branca ou Obama passará a agir
realisticamente? Aposto na segunda hipótese.
O fato é que só os EUA têm poder para deter o processo deslanchado na América
Latina, sob a liderança do PT. A nova fase trouxe também uma novidade: a
vaidade. O senso de perigo dos revolucionários desapareceu. Agora as decisões
serão mais rápidas e os erros acontecerão inevitavelmente, sendo o maior deles
subestimar o poderio norte-americano. Historicamente quem o fez quebrou a cara.
Lula e sua gente estão dispostos a pagar para ver.
Como pano de fundo do processo temos a crise mundial se desenrolando, bem como a
agonia do dólar. E também a tentativa de consolidação do governo mundial. Vejo
uma realidade prenhe de violência, que aponta para a guerra. Se as coisas derem
errado e se não houver reações das forças políticas internas, pela primeira vez
em século poderemos ter um cenário de conflitos bélicos envolvendo o Brasil em
solo latino-americano. Um perigo. Bem sabemos como se entra em conflitos assim,
mas nunca como deles saímos.
A pergunta é: os revolucionários poderão tudo? Não há oposição? Ora, a via
eleitoral deixou de ser obstáculo ao caminho do PT, que não hesita em usar o
poder de Estado contra os inimigos. Hoje as manchetes dão conta da investigação
da Polícia Federal contra o governador do GDF, José Roberto Arruda. Nenhuma
força política está a salvo dos revolucionários. Obviamente que a ação policial
de hoje deve ser compreendida dentro do contexto da sucessão, local e nacional.
A classe política está refém do PT.
Em São Paulo, único pólo capaz de segurar um pouco as coisas, vemos a tolice da
dupla José Serra/Gilberto Kassab com a sua elevação do IPTU. Não perceberam
ainda que não haverá como se contrapor aos revolucionários usando das mesmas
bandeiras deles. Teriam que marcar posição no campo político oposto. Bem sabemos
que nem sabem mais fazer isso. Todo mundo viciou no socialismo. Não há espaço
nesse campo para dois senhores e o PT é o dono exclusivo dessa bandeira. Ou
seja, temos de um lado a má fé e, do outro, a burrice ajudando no processo
revolucionário em curso.