Os Militares e o Evangelho de São Mateus
Murilo Badaró
Presidente da Academia Mineira de Letras -
mbadaro@uai.com.br
A notícia de que
os comandantes militares foram excluídos do palanque oficial no desfile de 7
de setembro por determinação do cerimonial da Presidência da República, com
o ridículo propósito de impedir fotos do alegre chefe do governo brasileiro
ao lado de oficiais fardados, levou-me a rever a cena para confirmar a
estranha notícia. Não é de hoje que os militares são vítimas de infame
campanha de desmoralização, urdida por esquerdistas revolucionários, até
hoje ressentidos com a ação das Forças Armadas, que impediu a tomada de
poder no Brasil, evitando a stalinização do país.
Para dar
sustentação a essa constante mentira de certos setores da imprensa, por eles
controlados, buscam argumentos nas inevitáveis violências praticadas por
alguns militares mais afoitos, em pleno curso da guerra que travaram contra
sequestradores, terroristas e guerrilheiros aliciados entre a juventude por
asseclas do PCB. Eram assassinos brutais, que matavam por ideologia, a mais
cruel forma de se livrar do semelhante contrário à ideologia do matador. Os
próprios militares realizaram investigações para punir eventuais deslizes de
conduta de seus soldados sem, contudo, até hoje merecer o reconhecimento por
parte desses detratores inconformados com sua derrota.
Muito mais grave do que o ato descortês dos donos do poder foi a notícia de
que as Forças Armadas, totalmente desarmadas, especialmente o Exército,
viram-se obrigadas, por falta de recursos, a reduzir seu expediente de
trabalho, diminuir a convocação de recrutas e colocar de lado práticas de
treinamento responsáveis pela disciplina e rigor militar. O Brasil assiste
impassível aos desdobramentos da corrida armamentista de seus vizinhos
aloprados, oferecendo como resposta a apalermada compra de 36 aviões de
combate franceses, alguns helicópteros e quatro submarinos, que só serão
entregues daqui a uma dezena de anos. Uma falácia com odor de negociata.
A força
terrestre, dissuasória e capaz de ocupar e manter áreas ocupadas, está sem
recursos para prover a alimentação e o soldo de seus soldados, sem armas e
fardamento. Quando acontecem tragédias semelhantes às de Santa Catarina e
Rio Grande do Sul, para vigiar as fronteiras hoje entregues ao controle de
ONGs estrangeiras e índios não aculturados, convocam prontamente os bravos
soldados do Exército, da FAB e da Marinha para ajudar a população, ocupando
os espaços deixados vazios pelo governo irresponsável. A cada pesquisa dos
institutos, as Forças Armadas aparecem invariavelmente na liderança das
instituições que gozam de maior prestígio e respeitabilidade perante a
população. Qual a razão dessa perseguição contra os militares, a ponto de
negar-lhes recursos orçamentários para manutenção? A resposta está no grande
número dos derrotados de 64 no comando do atual governo. Diz são Mateus (23,
12) que os "humilhados serão exaltados". E aplica a vergasta nos fariseus
que "filtram um mosquito e engolem um camelo". O tempo carrega a verdade
pela mão.
Publicado em:
19/09/2009