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OS NORTE-AMERICANOS NÃO TRAMARAM A CONTRA-REVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964.

Ao longo dessas últimas décadas a esquerda brasileira tem acusado os Estados Unidos da América de, em conluio com nossas Forças Armadas, participar, ativamente, do Movimento Militar que depôs o presidente João Goulart. Na mídia, nas escolas, em livros didáticos, em pichações e em panfletos a nação americana é acusada de ter tramado, apoiado e subsidiado o “golpe militar de 1964”, por intermédio da CIA.
 
Durante os chamados “anos de chumbo”, prédios, lojas, estabelecimentos de ensino, enfim, tudo o que representasse os Estados Unidos passou a ser odiado e, inclusive, sendo alvo de atos terroristas as representações diplomáticas, propriedades e até mesmo cidadãos americanos residentes em nosso país.
 
Entre estes atos podemos destacar:
 
- A explosão de uma bomba no Consulado Americano, em São Paulo, em 15/03/1968, que feriu duas pessoas;
- O ataque a tiros à Embaixada do Estados Unidos, no Rio de Janeiro, por desconhecidos, no dia 21/06/1968. Esse dia ficou conhecido como “a sexta feira sangrenta”;
- O assassinato do capitão do Exército dos Estados Unidos, Charles Rodney Chandler, em 12/10/1968, que cursava uma Faculdade em São Paulo, determinado por um “Tribunal Revolucionário” da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob a acusação de que era agente da CIA;
- O seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, em 04/09/1969, no Rio de Janeiro, pelas organizações terroristas Ação Libertadora Nacional (ALN) e Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8); e
- A tentativa de seqüestro do cônsul americano Curtis Carly Cutter, em 04/04/1970, em Porto Alegre, pela VPR.
 
Hoje, está provado que a versão da participação dos norte- americanos na Contra-Revolução de 1964 foi consolidada, por meio de documentos forjados pela espionagem tcheca que, em 1964, atuava pela KGB no Brasil. Esta escandalosa mentira, chamada de “Operação Thomas Mann”, foi montada por Ladislav Bittman, que chefiava o serviço secreto de desinformação, da Tchecoslováquia.
 
Em fevereiro de 1965, Bittman veio ao Brasil inspecionar as fases iniciais da “Operação Thomas Mann”. Essa operação levou este nome porque Thomas Mann era o Secretário Adjunto dos Estados Unidos e o objetivo do Serviço Secreto Tcheco era “provar”, com documentos falsos, que, por influência de Thomas Mann, a política externa americana para a América Latina tinha sofrido um “grande endurecimento”, após a morte do presidente John F. Kennedy.
 
O Ocidente tomou conhecimento desses dados em 1985, pelo próprio Ladislav Bittman, no livro “The KGB And Soviet Disinformation”, publicado em Washington. Bittman em seu livro declara: “queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba” (...) “A Operação foi projetada para criar no público latino-americano uma prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas”.
 
A operação Thomas Mann dependia de canais anônimos para disseminar uma série de documentos falsos.
 
 A primeira falsificação, um “press release” da Agência de Informações dos Estados Unidos, na cidade do Rio de Janeiro, continha os principais fundamentos da “nova política externa americana”. O falso release foi mimeografado e distribuído em meados de fevereiro de 1964, numa simulação de envelope da Agência de Informações e difundida para a imprensa brasileira e alguns políticos selecionados. Em 27/02/64, a falsificação aparece no jornal “O Semanário” com a manchete: “Mann determina linha dura para os EUA: nós não somos mascates para negociarem conosco”.
 
A segunda falsificação foi uma série de circulares, publicadas em nome de uma fictícia organização chamada de “Comitê para a Luta Contra o Imperialismo Ianque”. Essa falsa organização tinha por objetivo principal alertar o público latino- americano a respeito da existência de centenas de agentes da CIA, do DOD e do FBI, passando-se por diplomatas.
 
A terceira falsificação ocorreu em julho de 1964, quando a América Latina recebeu a “prova adicional” das atividades subversivas americanas, na forma de duas cartas forjadas, supostamente assinadas por J.Edgar Hoover. Ambas estavam endereçadas a Thomas Brady, um funcionário do FBI. A primeira com uma data falsa, dando a idéia de ter sido escrita em 02/01/1961, era uma mensagem de parabéns, pelo aniversário de 20 anos de serviço de Brady no FBI. Seu objetivo era autenticar uma segunda carta, datada de 15/04/1964, também para Brady, com assinatura decalcada de J. Edgar Hoover. Nessa mensagem Hoover cumprimenta Brady pelo sucesso de uma determinada “Operação”, que, pelo contexto, qualquer leitor, imediatamente, associa ao “golpe” que derrubou João Goulart.
 
Embora as revelações de Ladislav Bittman tenham sido tornadas públicas no ano de 1985, a imprensa brasileira nada publicou a respeito, talvez por ignorância ou, quem sabe, por não querer que a opinião pública viesse a tomar conhecimento da mentira que durante anos enganou o povo brasileiro.
 
A Revista Veja na sua edição nº 1777, de 13/11/02, publica a matéria ”O Fator Jango” de autoria de João Gabriel de Lima, onde este mesmo assunto é abordado. Para maior entendimento transcrevemos a seguir a sua parte principal:
 
“O básico desse enredo foi escrito nos anos setenta pela historiadora americana Phyllis Parker, na obra de referência 1964: O Papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de Março. Phyllis entrevistou os principais personagens do episódio e teve acesso à maior parte da correspondência secreta. Chegou à conclusão de que o golpe de 1964 foi dado mesmo por brasileiros, não por americanos.
 
Hoje isso soa óbvio, mas na época, até por falta de bons livros em português sobre o assunto, imperava a versão esquerdista de que a tomada de poder pelos militares havia sido planejada em Washington e incluiria até uma invasão do Brasil por marines americanos. Phyllis mostra que os Estados Unidos realmente acompanhavam a situação de perto, faziam seus lobbies e sua política com a costumeira agressividade, e tinham um plano B para o caso de o País entrar em guerra civil.Entretanto, nas palavras da historiadora, não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964. O resto é teoria conspiratória”.
 
Ainda segundo a Revista Veja, Lincoln Gordon, embaixador americano no Brasil em 1964, em seu livro recentemente editado fornece bastidores sobre o relacionamento na ocasião entre os Estados Unidos e o Brasil. “O autor do golpe contra Goulart foi o próprio Goulart” disse o ex-embaixador americano a VEJA na semana passada. “Se ele fosse mais habilidoso, teria pressionado por suas reformas dentro do âmbito constitucional, em vez de ceder à tentação de seguir os modelos de Getúlio Vargas e Perón”.
 
Em 17/02/2001, o jornalista Olavo de Carvalho tornou pública a verdade sobre a montagem dessa grande farsa, em artigo publicado na revista Época.
 
Surpreendentemente, nenhum órgão da nossa imprensa mostrou o desejo de ouvir o ex-espião tcheco que conseguiu, durante tantos anos, impor ao povo brasileiro uma mentira de tão grave repercussão para as nossas relações com os Estados Unidos.

POR QUE NINGUÉM ENTREVISTA LADISLAV BITTMAN, O EX-ESPIÃO TCHECO QUE SABE TUDO SOBRE 1964?
 
Olavo de Carvalho - Época, 17 de Fevereiro de 2001
 
Milhões de crianças brasileiras, nas escolas oficiais, são adestradas para repetir que o golpe militar de 1964 foi obra dos Estados Unidos, como parte de um projeto de endurecimento geral da política exterior ianque na América Latina.
 
Sabem quem inventou essa história e a disseminou na imprensa deste país? Foi o serviço secreto da Tchecoslováquia, que naquele tempo subsidiava numerosos jornalistas e jornais brasileiros. O próprio chefe do serviço tcheco de desinformação, Ladislav Bittman, veio inspecionar as fases finais do engenhoso empreendimento que se chamou “Operação Thomas Mann”. O nome não aludia ao romancista, mas ao então secretário-adjunto de Estado, Thomas A. Mann, que deveria constar como responsável por uma “nova política exterior” de incentivo aos golpes de Estado.
 
A safadeza foi realizada através da distribuição anônima de documentos falsificados, que a imprensa e os políticos brasileiros, sem o menor exame, engoliram como “provas” do intervencionismo americano. O primeiro lance foi dado em fevereiro de 1964: um documento com timbre e envelope copiados da Agência de Informação dos EUA no Rio de Janeiro, que resumia os princípios gerais da “nova política”. A coisa chegou aos jornais junto com uma carta de um anônimo funcionário americano, investido, como nos filmes, do papel do herói obscuro que, por julgar que “o povo tem o direito de saber”, divulgava o segredo que seus chefes o haviam mandado esconder.
 
O escândalo explodiu nas manchetes e os planos sinistros do senhor Mann foram denunciados no Congresso. O embaixador americano desmentiu que os planos existissem, mas era tarde: toda a imprensa e a intelectualidade esquerdistas das Américas já tinham sido mobilizadas para confirmar a balela tcheca. A mentira penetrou tão fundo que, três décadas e meia depois, o nome de Thomas A. Mann ainda é citado como símbolo vivo do imperialismo intervencionista.
 
A essa primeira falsificação seguiram-se várias outras, para dar-lhe credibilidade, entre as quais uma lista de “agentes da CIA” infiltrados nos meios diplomáticos, empresariais e políticos brasileiros, que circulou pelos jornais sob a responsabilidade de um “Comitê de Luta Contra o Imperialismo Americano”, o qual nunca existiu fora da cabeça dos agentes tchecos. Na verdade, confessou Bittman, “não conhecíamos nem um único agente da CIA em ação no Brasil”. Mas a mais linda forjicação foi uma carta de 15 de abril de 1964, com assinatura decalcada de J. Edgar Hoover, na qual o chefe do FBI cumprimentava seu funcionário Thomas Brady pelo sucesso de uma determinada “operação”, que, pelo contexto, qualquer leitor identificava imediatamente como o golpe que derrubara João Goulart.
 
Toda uma bibliografia com pretensões historiográficas, toda uma visão de nosso passado e algumas boas dúzias de glórias acadêmicas construíram-se em cima desses documentos forjados. Bem, a fraude já foi desmascarada por um de seus próprios autores, e não foi ontem ou anteontem. Bittman contou tudo em 1985, após ter desertado do serviço secreto tcheco. Só que até agora essa confissão permaneceu desconhecida do público brasileiro, bloqueada pelo amálgama de preguiça, ignorância, interesse e cumplicidade que transformou muitos de nossos jornalistas e intelectuais em agentes ainda mais prestimosos da desinformação tcheca do que o fora o chefe mesmo do serviço tcheco de desinformação. Quantos, nesses meios, não continuam agindo como se fosse superiormente ético repassar às futuras gerações, a título de ciência histórica, a mentira que o próprio mentiroso renegou 15 anos atrás?
 
Olavo de Carvalho é jornalista, escritor, filósofo e Editor do MÍDIA SEM MÁSCARA.

Saiba mais: DERRUBANDO A HISTÓRIA OFICIAL DE 1964

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