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AO ARA SAN JUAN E AOS SEUS MARINHEIROS. // VAlte(Ref) Sergio Tasso Vásquez de Aquino - 24/11/2017

O tempo decorrido desde que a última mensagem do SAN JUAN foi recebida em terra, o insucesso das buscas realizadas por navios e aeronaves de tantas nações solidárias na área provável do acidente reportado nas baterias e a recente notícia de que forte explosão foi registrada no dia do último contacto rádio com o submarino e próximo da posição estimada em que deveria estar, tudo isso leva a crer que, não obstante nossas fervorosas orações, o navio tenha sido perdido com toda a sua tripulação.
Emocionado, perfilado em continência, apresento armas à brava tripulação, Comandante, Oficiais e Guarnição, que terão levado às últimas consequências seu compromisso com a Pátria argentina. Cumpriam a Missão que lhes foi assinalada, no barco que era parte da sua alma, como ocorre com todos os Marinheiros. O solo profundo do mar revoltoso da Terra Natal provavelmente hoje lhes serve de morada final. Lá, não poderão receber as lágrimas, as homenagens e as flores dos filhos que ficaram órfãos, das mulheres que ficaram viúvas, dos pais que pranteiam os filhos nessa “estranha orfandade às avessas’’,  dos colegas e amigos golpeados pela grande perda.
A canção dos submarinistas alemães dizia que “no túmulo dos submarinistas não nascem flores”, já que o Mar-Oceano lhes serve de última morada, quando vitimados em operações. Como cristão, brasileiro, marinheiro e submarinista, honrosamente pertencente à mais guerreira das aguerridas especialidades da Marinha de Guerra, tenho compartilhado de todas as esperanças, angústias, tristezas e aflições do drama que se vem desenrolando nos nove dias recentes. A Deus Todo-Poderoso venho elevando minhas orações, pedindo o final feliz para tudo, com o regresso do heroico SAN JUAN e dos seus corajosos Tripulantes, em segurança, ao porto de sua base, em Mar del Plata.
É preciso dizer, contudo, que na Argentina, como no Brasil, as Forças Armadas não têm recebido o respeito, o reconhecimento e os meios de que carecem, para realizar na plenitude sua Missão exclusiva de garantir a Independência, a Soberania, a Defesa da Pátria. Governantes e políticos em geral, sem visão de estadista, elites cegadas apenas pelo empenho em lucro rápido e por considerações preponderantemente de natureza financeiro-econômica, mídia influenciada por interesses que não são nacionais, povo mantido de propósito na ignorância, para mais facilmente ser controlado, explorado e manipulado, vendilhões e traidores influentes, intoxicados de revanchismo, inimigos da Nação e dos seus abnegados militares, todos contribuem determinantemente para a perigosa situação de fragilidade da Expressão Militar diante das ameaças e desafios de toda a natureza, presentes nos cenários nacional e internacional. Ninguém parece valorizar a crucial importância da função militar para a Nação!
Ainda com a esperança em Deus do milagre do retorno feliz do ARA SAN JUAN, mas diante da possível concretização da tragédia anunciada, direciono aos bravos Submarinistas argentinos a homenagem que  prestei aos Submarinistas e Mergulhadores brasileiros, perecidos no cumprimento do Dever, na Guerra e na Paz, e que fiz constar no monumento que mandei erguer na Base de Submarinos, junto ao histórico Submarino de Pedra, quando comandava a ForS [Força de Submarinos], no seu 75º Aniversário, em 17 de julho de 1989:
“PERPÉTUA GLÓRIA AOS BRAVOS QUE TOMBARAM COM HONRA NO CUMPRIMENTO DO DEVER”

Em tempo: Infelizmente, foram declarados mortos os 44 tripulantes do Submarino  Argentino. Que Netuno os faça membros de sua imbatível esquadra subaquática.  Meus sentimentos aqueles que tem o mar como profissão ou paixão. Preparar para imersão em postos de combate.

O TERNUMA agradece sua visita.
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