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O RESPEITO A NÓS MESMOS! // Gen Bda Paulo Chagas - 31/10/2017

Caros amigos
Ao rever a foto abaixo, motivei-me a compartilhar um texto que à época (2002), como Comandante da 7ª Brigada de Infantaria, Brigada Felipe Camarão, em Natal (RN), enviei aos Comandantes das Organizações Militares subordinadas para que fosse lido e comentado com os Oficiais, Subtenentes e Sargentos, recomendando que não deveria ser encarado como crítica aos nossos atletas, responsáveis por tantas alegrias proporcionadas ao nosso povo, os quais poderiam ser chamados e considerados como os “Heróis do Penta”, uma vez que, com suas atuações, haviam contribuído para incrementar o nosso amor próprio e a nossa autoestima, mostrando ao mundo que podemos superar dificuldades e vencer desafios contra qualquer outra nação que se interponha em nosso caminho.
Acrescentei que o texto serviria para chamar a atenção e incentivar a meditação de todos para as vulnerabilidades criadas por nossas próprias idiossincrasias. Dei ao texto o título de “Irreverência”. Passados 15 anos, continua válido!

vampeta

IRREVERÊNCIA
Os povos têm características próprias de atitudes e comportamentos que definem suas personalidades e virtudes coletivas.
Muitas são as causas destas distinções, entre elas, podemos citar o clima, a colonização, as riquezas naturais de seu território e a sua própria postura perante as demais nações.
Dentre as características da personalidade do povo americano, a que mais nos chama a atenção é o patriotismo, o permanente e consolidado orgulho nacional, que se formou desde a chegada dos peregrinos colonizadores com suas famílias e a totalidade de seus bens pessoais, com o firme propósito de lá criar as raízes de uma nova civilização. Tinham a influenciá-los suas próprias origens, as causas de sua vinda ao novo continente, o conhecimento dos rigores e das condicionantes do clima que lhes impunha seriedade, competência e produtividade para sobreviver a longo e rigoroso inverno.
Sobre estas bases formaram a personalidade forte de um povo que ao longo da história soube vencer desafios e obstáculos de toda natureza e impor-se a eles e às demais nações do mundo, tendo como farol o que chamaram de “ideal americano”.
O povo brasileiro, por sua vez, mercê da adaptabilidade e dos propósitos imediatistas do colonizador; da admirável mistura de raças e culturas que compõe sua etnia; do estímulo da benevolência, da quase uniformidade e da amenidade do clima; da riqueza e da fecundidade do solo, testemunhados ao Rei de Portugal já na carta de Pero Vaz de Caminha: “… aqui, em se plantando, tudo dá”, tem como característica marcante a irreverência que se observa no descontraído e descompromissado modo de viver, de enfrentar as dificuldades e as agruras do dia-a-dia e de preparar o futuro, na criatividade e diversidade cultural e, principalmente, na contagiante alegria que adorna todas as suas manifestações coletivas.
A exacerbação das virtudes, no entanto, nem sempre pode ser considerada como tal. O excesso de orgulho transforma-se em arrogância, o excesso de irreverência transforma-se em deboche. Temos sido testemunha de ambos em relação a cada um dos dois povos, respectivamente!
Vemos os americanos arrogantemente arvorando-se de donos do mundo, impondo sua vontade e interesses às demais nações pela força do poder incomparável de sua economia e de suas armas, em detrimento de qualquer preceito que ameace a conquista de algum de seus objetivos nacionais, por mais insignificantes que possam parecer. Conquistaram assim, ao lado da natural admiração e do respeito de muitos, a rejeição de quase todos e até o ódio mortal de alguns.
Pelo nosso lado, demos ao mundo, recentemente, mostras do ponto a que chegamos na exacerbação de nossa admirada irreverência, com as explícitas e autênticas manifestações de deboche por parte dos nossos “Heróis do Penta”, expondo o Presidente [FHC] ao ridículo das brincadeiras do “Fenômeno” [simulando ter sido “espetado” no momento da imposição da medalha de mérito que recebera], desrespeitando o simbolismo da Rampa do Planalto através de, entre outros, os malabarismos descabidos do eficiente jogador Vampeta e, pior do que tudo, a inclusão da dança ao ritmo do Olodum no repertório das formas de execução do Hino Nacional!
Conquistamos desta maneira, além do inédito e cobiçado título de Penta Campeões Mundiais de Futebol, o de povo debochado, sem valores, sem seriedade e sem respeito por si próprio!
Tanto a arrogância dos americanos quanto a libertinagem das nossas atitudes são graves deficiências de caráter que, em ambos os casos, já se transformaram em vulnerabilidades. Eles às voltas com o terrorismo islâmico, e nós sendo considerados, apesar de todo o esforço das autoridades econômicas, como um país de risco para aplicações econômicas, menor apenas que o da quebrada Argentina, ela também vítima de suas próprias idiossincrasias.
Urge refletir com seriedade sobre os exageros da permissividade, mantendo nossa invejada alegria de viver e sobreviver nos limites do respeito, principalmente nos do respeito a nós mesmos.
Gen Bda PAULO CHAGAS
Cmt 7ª Bda Inf Mtz

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