Erro
  • Erro ao carregar componente: com_imageshow, 1

O MILITAR E A POLÍTICA. // Gen Div Synésio Scofano Fernandes - 04/10/2017

“ O estudo do bem pertence à Política, que é a primeira das ciências práticas” (1)

“Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à ciência principal e mestra de todas as outras. Tal é, vê-se claramente, a ciência política. Pois que esta dispõe, na cidade, as ciências de que necessitais, e quais cada um deve aprender e até que ponto. Vemos que também as faculdades tidas em maior apreço, como a arte militar, a economia, a oratória lhe estão sujeitas” (2).

Como nos aponta Aristóteles, o Militar é, essencialmente, um ente político pois que o seu fazer objetiva-se na proteção da comunidade (a cidade). A sua educação, as finalidades da sua atividade cotidiana, o “telos” de sua vida se realizam no bem comum.
No entanto, não pode haver dúvida sobre a Política da qual se fala. Não se está cogitando da anti-política, aquela que se sustenta na corrupção, no cinismo, no toma lá dá cá, na “compra” das mentes, das vontades e dos votos.
Esses comportamentos e atitudes não dizem respeito à atividade política; muito embora, nos dias que passam, tenham se tornado  os referenciais definidores e deturpadores das atuações nessa área.
Ao contrário, a prática política do militar esculpe o modelo do bom soldado, aquele que concorda em sacrificar-se ou sacrificar a própria vida, se necessário, para o bem dos outros.
Os soldados desempenham o seu papel, na sociedade, abertamente, publicamente, vestindo os seus uniformes, que anunciam as metas das suas vidas. A mais profunda afirmação política que se pode conceber.
Não se ocultam, não incidem na hipocrisia e no ludibrio.
O sacrifício, a disciplina e a honestidade são os fundamentos da honra e da dignidade do militar, que não podem ser maculados.
A dignidade do militar dá-se pela afirmação permanente dos seus atos e exige a interpretação das circunstâncias que emolduram uma determinada situação.
Como manter a honra e a dignidade em um ambiente delimitado por descritores tais como?
    - “Essa porra é nossa”;
    -  departamentos de operações estruturadas;
    -  personagens, dos mais altos níveis da república, chamados de:  “o nosso amigo”, “o italiano”, “ a bonitinha mas ordinária”, “o boca mole”, “ o decrépito”, “ o medonho”, “ o venal”, “o caranguejo” e outros mais;
- os encontros noturnos, em dependências de palácios, de proeminentes autoridades com figuras percebidas como de má reputação, para tratar de assuntos suspeitos;
- os jantares, em Paris ou Mônaco,  seguidos de danças dos guardanapos;
  - “as jaboticabas” ;
  - a venda de Medidas Provisórias;
  - a extorsão das CPI;
  - a “compra de votos de parlamentares”;
- as malas voadoras recheadas de dinheiro vivo;
- os 52 milhões de reais ,de origem e destinos ignorados , depositados em “flats”;
-as licitações fraudulentas;
-a corrupção desenfreada.
Qual a razão moral para submeter o militar aos protagonistas desse ambiente degradado, que ocupam as mais altas posições nas diferentes esferas do poder público?
A afirmação de instituições inertes e tomadas pelo mal?
A esperança de um desenvolvimento econômico que se construiria sobre o cediço lamaçal da corrupção? Alguém poderia  concordar com essa expectativa?
Os brasileiros não mais aceitam o estado de putrefação que se apoderou de nossa sociedade.

(1) A Ética de Nicômaco de Aristóteles, Livro Primeiro, Capítulo II, 2.

(2) A Ética de Nicômaco de Aristóteles, Livro Primeiro, Capítulo II, 5 e 6.

O TERNUMA agradece sua visita.
Ir para o topo
Desenvolvimento, Hospedagem e Manutenção por IBS Web.'.