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FALA DE GENERAL. // TARCIZIO R. BARBOSA - 2º Ten. R/2 de Infantaria – Safra de 1964 - 22/09/2017

Em março de 1964 o General Olímpio MOURÃO Filho não falou. Botou seus 6.000 homens na rua e marchou de Juiz de Fora para o então Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro) com o propósito de precipitar a deflagração da revolução. O que realmente ocorreu.
Na outra ponta – no Estado da Guanabara – o Coronel Raimundo Ferreira de Souza, Comandante do 1º Regimento de Infantaria – Regimento Sampaio- mobilizou-se para interceptar a marcha do General MOURÃO, ocupando a ponte sobre o rio Piabanha (por onde passava a antiga estrada que ligava o Rio a Juiz de Fora, na época). E ali se rendeu as tropas mineiras. Decretava-se a destituição do governo Jango, em 31 de março de 1964, com amplo apoio popular e com decisivo apoio do Governador Magalhães Pinto, de Minas Gerais e do General Carlos Luiz Guedes.
Catorze anos depois (1978), em seu livro de memórias, o General MOUR O escreveu: “Se nós não tivéssemos feito (a revolução), ela jamais teria começado”.
Vejamos que a audácia do General MOUR O daquela época só foi possível e só vingou pela conjunção de quatro fatores presentes no cenário nacional e mundial:
1 - A polarização do mundo pós segunda guerra mundial entre a democracia  capitaneada pelo Estados Unidos e a ditadura do proletariado dirigida com mão de ferro pela extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS- cuja joias da coroa, entre os comunistas, eram representadas por Cuba e pela Albânia. Símbolos máximos – para eles, é claro - da “vitória” do socialismo sobre a burguesia. Hoje, olhando para a popa, vemos o que aconteceu com esses dois países e com a União Soviética.
2 - O manifesto repúdio da maioria do povo brasileiro pelo comunismo – exceto alguns enclaves nordestinos e sulistas, uns e outros “intelectuais” que ainda andam por aí e  oportunistas de ocasião sem ideais e sem pudor.
3 - A formação dos Oficiais Generais da época que traziam uma visão de mundo, adquirida nos embates da segunda grande guerra, onde o amigo era reconhecível e o inimigo também. Hoje o ambiente difuso não permite tal dicotomia radical. Parodiando mote de agora, ouso dizer que atualmente temos muito mais que cinquenta tons de cinza e,
4 - Ainda contávamos com uma classe política não de todo corrompida.
Nesta quadra em que vivemos os poderes Legislativo e Executivo vergam sob uma desenfreada corrupção sistêmica que, se sempre existiu, na última década e meia se exacerbou. Deixando na sociedade a certeza de que ali todos se corromperam, em maior ou menor grau e que o Judiciário assume o papel de um novo censor, tentando reverter a célebre citação do antigo censor, Catão “o velho” que dizia: “Os ladrões dos bens particulares passam a vida na cadeia, aqueles dos bens públicos, nas riquezas e nas honrarias” (sic).
Mas, mesmo nos bastiões da justiça não existem só vestais, como fica meridianamente claro diante das estripulias de um certo ex -Procurador da República e de certos Ministros das altas esferas judiciais. Mas, é o que temos para hoje.
Diante dessas fraturas múltiplas que mutilaram  moral e  ética nacionais restam dois poderes ainda incólumes, o eclesiástico e o militar.
Ao eclesiástico, mais afeito ao divino não cabe papel nesses misteres terrenos.
Mas, e quanto aos militares?
Vamos à Constituição, lei maior de qualquer regime sério, e lá encontramos no art.142, caput, ensinando que cabe  as Forças Armadas “a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem” (sic, art. 142 – final).
Vemos, também em nossa Carta Magna, no art. 144 que a elas não cabe prover “Segurança Pública”, pois para essa competência ali estão listados os seguintes órgãos:
I  - Polícia federal
II - Polícia rodoviária federal
III - Polícia ferroviária federal
IV - Polícias civis
V - Polícias militares e corpos de bombeiros militares
E mais recentemente, a força nacional.
Mas, o que se vê é a convocação das Forças Armadas para garantir a segurança pública onde esses órgãos constitucionais fracassam. O exemplo mais emblemático é o do esfrangalhado Rio de Janeiro, em sua guerra civil particular contra o tráfico de drogas. Ou seja, já existe a intervenção consentida e convocada além do estamento constitucional, por razão enviesada, remetendo o feito à manutenção da lei e da ordem. Quando na realidade, aqui se trata claramente de garantia da segurança pública.
Não é engraçado?  Tudo bem com intervenção militar ultra leges para fazer o serviço de outrem. Mas, de jeito nenhum para restaurar a lei, a ordem e, por que não dizer, a moral e os bons costumes na esfera política.
E aqui entra o novo General MOURÃO, Hamilton Martins Mourão, atual chefe da Secretária de Economia e Finanças do Exército, cargo que assumiu ao ser desligado do Comando Militar do Sul por suas duras críticas à classe política, em reunião com Oficiais da reserva. E a gota d`´agua para essa destituição talvez tenha sido o convite para uma solenidade onde se iria homenagear o Coronel Brilhante Ustra, famoso pela truculência com que tratava os vencidos na revolução de 1964.
Agora, o novo General MOURÃO, em pronunciamento em uma Loja Maçônica, fala em possível intervenção militar para “restaurar a lei e a ordem”, se necessário for e se os poderes constituídos não conseguirem esse intento. Naturalmente falou a verdade mirando ao caos político vigente e não se afasta um milímetro do que prega o art. 142 da nossa Constituição. Logo, não foi, nem deverá ser punido por isso.
Mas, a classe política, vê nisso uma séria ameaça ao seu “status” de gatuna dos bens públicos e de sua vida de riquezas e honrarias, tal como disse Catão “o velho” há mais de dois milênios atrás.
Eis aí o dilema castrense,  render-se ao mando do político corrompido, recebendo ordens de veros facínoras ideológicos ou simples gatunos, ou assumir posição de força para promover o hercúleo trabalho de “limpar as cavalariças de Augias” (um dos doze trabalhos do semi-deus Hércules).
Acredito que a desesperança do General MOURÃO, dos homens e mulheres de bem e de todos aos quais ética e moral ainda são valores a preservar é exatamente este: O que esperar desses corruptos empoderados que mandam em nós e buscam meios de se safar de seus crimes?
Ao final das contas “o fruto da árvore envenenada é veneno” e não se aproveita,  como se diz na teoria do Direito .Falando sério, daí só deverá brotar mais do mesmo.
Será que teremos que conviver com um novo MOURÃO de 1964, reencarnado em MOURÕES  que sejam capazes de servir de estacas para construir uma cerca de  confinamento dessa corrupção toda, colocando razão e ordem na política pátria?
O Brasil não merece o que está vivendo agora, mas não merece também que novamente alijemos os facínoras para, mais à frente, serem todos alcançados por outra anistia “ampla geral e irrestrita” e voltem às mesmas práticas.
Nesse aspecto a revolução de 1964 foi um rotundo fracasso, uma facada n`água, pois não?

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