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TEMER E A SÍNDROME DE MACUNAIMA. // Cel Weslei Maretti

Quando uma simples revista adia a retomada do crecimento econômico de um país e frusta a esperança de milhões de desempregados.

Com a saída do poder da organização criminosa  que institucionalizou a corrupção no Brasil e causou o maior caso de corrupção política que se tem notícia assume o poder Michel Temer. Sem futuras pretensões políticas o novo dirigente resolve promover mudanças estruturais que eram necessárias há muito tempo, mas por serem impopulares, não foram feitas pelos governantes que o antecederam. Começa bem, nomeando um ministro da Fazenda que tinha credibilidade no meio empresarial e na esfera internacional. Apesar de enfrentar grande resistência por parte da oposição e dos movimentos sociais consegue passar no Congresso a PEC 241 que estabeleceu um teto para os gastos públicos. Vencida a primeira etapa, inicia a luta para realizar as reforma trabalhista e da previdência social. Parecia que o país estava tomando um rumo para vencer a inflação que estava fora de controle e voltar a ter o crescimento econômico necessário para  vencer os níveis de desemprego que atingiram patamares alarmantes.
Não se podia esperar de um dirigente do PMDB, partido tão comprometido quanto o PT nos escândalos desvendados pela Lava Jato, que fosse um exemplo de honestidade, probidade e comprometimento com a causa pública. Temer pertence ao PMDB desde 1.985, foi deputado federal por cinco mandatos, Presidente do partido de 2001 até 2016 e  Vice Presidente de Dilma Rousseff. Com esse currículo, tendo participado de várias eleições como candidato e como dirigente partidário não é racional imaginar     que desconhecia o esquema de propinas que permeia a política brasileira.
Temer poderia ser, de forma transversa, um malvado favorito que, como Eduardo Cunha, preso pela prática de inúmeros crimes, foi peça fundamental no impeachment da Presidente petista. Político experiente, hábil negociador e com trânsito fácil no Congresso, tinha habilidade suficiente, apesar dos baixos índices de popularidade, para promover as reformas que poderiam trazer a estabilidade econômica e social com a recuperação do nível de emprego.
No mês que a economia começava a ter índices positivos com a inflação controlada e o primeiro crescimento econômico desde o início do processo recessivo, abre-se a caixa de Pandora depois de um infeliz encontro com um criminoso transvestido de empresário que fez fortuna com dinheiro público nos governos petistas.
O que poderia ser o início do reencontro do país com a retomada do crescimento econômico é interrompido por uma falha absurda no esquema de segurança da Presidência  da República. Em qual país organizado do mundo alguém, que não é do circulo próximo do Presidente da República, tem uma entrevista com o mesmo sem passar por um detector de segurança? Como não são tomadas as medidas de segurança que impeçam que o Presidente da República seja exposto a riscos desnecessários?
Pode-se argumentar que o Presidente não aceita esse tipo de prática. Seria o mesmo que, se tivesse com uma doença grave, não acatasse as recomendações de seu médico. Esse profissional não comprometeria a sua credibilidade, permanecendo em uma função que não teria nenhuma utilidade, pois em caso do agravamento do quadro doentio ficaria sempre a pergunta, o seu médico pessoal não diagnosticou e cuidou desse paciente?
As medidas de segurança são sempre restritivas e desconfortáveis, mas evitam situações críticas. Devem ser conduzidas por profissionais que saibam dizer não, não tenham apego aos cargos e gratificações e se imponham pela firmeza, lealdade e, principalmente, por não terem ambição pelo poder. Conforme se diz no jargão ´policial galinha de casa não se corre atrás, se não se pega hoje pega-se amanhã. Os crimes porventura cometidos por Temer poderiam ser apurados em outra oportunidade, depois que as reformas tivessem sido aprovadas e o Brasil tivesse saído do terrível quadro recessivo. Toda essa esperança esvaiu-se porque alguém que não foi submetido a uma revista eletrônica  que detectasse um gravador que foi usado sem a anuência da maior autoridade do poder executivo. Não é razoável dizer que Deus é brasileiro, parece que a síndrome de Macunaíma não nos abandona.
SELVA!!!

O TERNUMA agradece sua visita.
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