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SILÊNCIO ENSURDECEDOR. // Gen Bda Carlos Augusto Fernandes dos Santos – 31/03/2017

Há cinquenta e três anos, estávamos no “olho-do-furacão”. Como esquecer os dias de tensão vividos, como jovem Tenente, na então 6ª Companhia de Polícia do Exercito , situada na Praça do Portão da cidade de Porto Alegre/RS. Nela, LAMARCA, colega de turma, iniciou um inventário de crimes e traições, aos companheiros, ao Exército e ao Brasil, auxiliando, em dezembro daquele ano, a fuga de um militar da aeronáutica, recolhido preso à disposição da Justiça Militar . Na época ,o inquérito policial não apurou a traição. Hoje, não há dúvida.
As estridentes sirenes dos “Choques”, abrindo espaços nos velozes deslocamentos para receber no aeroporto o presidente JOÃO GOULART, que se deslocava de ( Brasília/Rio) para Porto Alegre, na frustrada tentativa de manter-se no poder, ainda soam nos nossos ouvidos.
Seu carbonário cunhado, LEONEL BRIZOLA , sem sucesso, tentava reeditar a Cadeia da Legalidade de 1961, sugerindo, até, que praças assassinassem seus superiores “ golpistas”.
Testemunha da derradeira reunião ocorrida na residência do então Comandante do III Exército, General LADÁRIO PEREIRA TELES, o Capitão Comandante da Companhia, RAUL JOSÉ RIBEIRO informou que GOULART, depois de atritar-se com o belicoso cunhado, resolvera não resistir, homiziando-se no vizinho Uruguai. Era a vitória do movimento cívico-militar, sem reação.
Sobre essa importante quadra da vida nacional, um silêncio constrangedor; constata-se que um pacto, tacitamente acordado, por editores e jornalistas engajados, é cumprido religiosamente pela imprensa do país. Os sucessos do movimento moralizador que colocou o país na senda do desenvolvimento e da ordem com o apoio maciço da sociedade brasileira,
propositalmente esquecidos. Hoje, a história vem sendo contada pelos vencidos de ontem, que continuam, ao que parece, adeptos do credo maldito. Só vale falar mal, denegrir e desdenhar, o movimento cívico-militar de 1964.
O planejado ESQUECIMENTO não surpreende; afinal, não faz muito tempo, a principal Rede de informação do país, a GLOBO, apologista da benéfica intervenção militar na alvorada do movimento ( basta ler o editorial do dia), veio a público desculpar-se pelo EQUÍVOCO cometido.
Quanta hipocrisia :“Vão-se os anéis, mas ficam os dedos”. E, também, as impressões digitais.
Como velho soldado que viveu as incertezas e angústias daquele momento , obrigo-me a relembrar o histórico e salvador movimento que reuniu expressiva participação dos brasileiros conscientes sobre os perigos que nos rondavam. A vizinha Colômbia é o exemplo vivo : até hoje convive com embaraços para exterminar a nefasta atuação das FARC. Obrigo-me, portanto, a relembrar hoje, a memória dos companheiros mortos, que perderam suas vidas lutando contra fanáticos e terroristas para impedir que , aqui, fosse implantado um regime semelhante ao que, hoje, infelicita a pobre Venezuela.
Esperamos que pelo menos nos quartéis e estabelecimentos de ensino militares, alunos, cadetes, soldados, praças e jovens oficiais, recebam de seus chefes , através de palestras, as informações verdadeiras . Seria um sonho esperar que universitários brasileiros, doutrinados, na maioria, por seus professores marxistas, recebessem essas mesmas informações.
Esse SILÊNCIO que ensurdece e constrange quem viveu aqueles dias, não pode, por omissão indesculpável, por interesses menores ou por medo de represálias , ser ouvido dentro dos muros das inexpugnáveis cidadelas do castro.

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