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A NEGAÇÃO DA "BURRICE". // Gen Bda Paulo Chagas

Caros amigos
Ninguém é obrigado a participar de manifestações, ou, até mesmo, a acompanhar o que se passa na vida pública do País. Conheço pessoas que dão tão pouca importância a este assunto que sequer comparecem às eleições.
É um direito individual que deve ser respeitado e ao qual não cabe crítica. São pessoas que independente da interferência positiva ou negativa do governo sobre suas vidas, preferem vivê-las da forma como lhes é possível, sem o estresse de conhecer a qualidade da gestão pública ou das oportunidades que lhes são oferecidas ou suprimidas.
Nelson Rodrigues dizia, com propriedade, que "toda a unanimidade é burra", o que é importante para lembrar-nos de que é preciso respeitar e valorizar a opinião dos outros, contrária ou simplesmente divergente da nossa, pois são eles que nos livrarão da "burrice".
É no entrechoque que as ideias e os ideais se aperfeiçoam, portanto, debater e rebater opiniões, com urbanidade e boa argumentação, também é importante, porque aqueles que assim procedem se obrigam a pesquisar, a aprofundar e a consolidar conhecimentos.
No último dia 13 da março tivemos programadas e realizadas manifestações de pessoas que julgam necessária uma intervenção militar para tirar o Brasil da crise em que se encontra. Não pactuo com esta precipitação, mas, coerente com o que disse acima, respeito o direito de assim pensar e o empenho dessas pessoas para convencer outras a aderir à solução militar.
Na manhã de hoje, 14 de março, sindicatos e integrantes de movimentos ditos sociais (CUT, MST, Via Campesina e outros) protestaram, em várias cidades, contra a proposta de reforma do Sistema de Previdência Social apresentada pelo governo. Em algumas dessas manifestações houve invasão e depredação de prédios públicos, interrupções de trânsito e do transporte público e até confrontos com a Polícia. Independente da validade ou não do tema da mobilização, o procedimento é absolutamente condenável porque atenta contra o direito e a propriedade alheia.
Para o próximo dia 26 de março, um terceiro grupo programa outras manifestações a favor e contra fatos políticos e judiciários em curso no País. Este seguimento da sociedade, tradicionalmente, tem saído às ruas aos domingos, de forma pacífica e ordeira e tem merecido o respeito daqueles que julgam inócuas as suas pautas.
É interessante notar que no entrechoque de ideias entre os três grupos citados, os quais chamarei de "intervencionistas", "esquerda sindicalista" e de "impichmistas" (ou "institucionalistas"), há temas e palavras de ordem coincidentes e, mesmo internamente, não há unanimidade de pauta.
Os "intervencionistas", por exemplo, divergem entre si quanto a forma e a oportunidade para agir, há os que advogam pela pena de morte por crimes políticos e os que são contra, há os que querem a ação militar "já" e os que preferem esperar por uma iniciativa dos militares. Coincidindo com a pauta da "esquerda sindicalista", este grupo tem como palavras de ordem o "Fora Temer" e a negação à proposta de reforma da Previdência Social.
Os "impichmistas", por seu lado, acreditam em uma solução política de longo prazo, mas, tanto quanto os "intervencionistas", têm plena confiança no discernimento e no patriotismo das FFAA para assegurar o respeito ao processo democrático. Entre si, no entanto, este grupo diverge quanto ao assunto da previdência, há os que são contra e os que são a favor da proposta governamental.
Tanto os "intervencionistas" quanto os "impichmistas" diferem da "esquerda sindical" no que se refere à forma como se manifestam. Os primeiros de forma veemente e ordeira e os últimos de forma radical e destrutiva.
Em que pese às minhas própria convicções, tudo isto é muito bom e importante porque enseja os debates, a participação, novas experiências - positivas e negativas -, o aperfeiçoamento político da Nação e a negação da "burrice"!

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