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RELEMBRANDO A FEB - O TEN PAIVA NA ALVORADA DO FRITZ. // Gen Bda R1 Luiz Eduardo Rocha Paiva

A ALVORADA DO FRITZ
(Extraído do Livro Crônicas de Guerra do Ten Cel Olívio Gondim de Uzêda – Comandante do 1º Batalhão do I Regimento de Infantaria – O Glorioso Sampaio)
Certa feita recebemos ordens de substituir com o nosso Batalhão o destemido Esquadrão de Reconhecimento sob o comando do bravo Capitão Pitaluga. O inverno já se avizinhava e nesse setor devíamos aguardar a primavera para o reinício de novas ofensivas. Ante isso o comando do Batalhão resolveu: colocar em linha duas companhias de fuzileiros (Cia Fzo); deixar em reserva a restante; reforçar as companhias em linha com elementos de morteiros 81 mm, de metralhadoras pesadas e um canhão 57 AC; fechar os intervalos na linha de frente com minas e redes de arame; fazer periodicamente, a título de repouso, um rodízio entre a Cia reserva e uma das do 1º escalão. E assim foi realizado!
Entretanto, o Fritz não gostou muito da troca que lhe revelaram seus magníficos observatórios [dominantes] e nos bombardeavam de quando em vez, de preferência pela manhã e ao entardecer. Uma tarde, lançaram 494 granadas de artilharia num único pelotão da nossa companhia da direita. Por último, todo dia, às seis horas, os alemães traziam três tanques para o povoado de Pietra Colora que nos defrontava e “passava em revista” toda a nossa linha de frente. Quando pedíamos tiros à Artilharia já era tarde, eles tinham fugido.
Eis quando o comandante do Batalhão chama o 1º Ten Paulo Paiva [meu saudoso pai], destemido comandante do Pelotão de Canhões anticarro [eram os pesados canhões 57 AC sobre rodas], um apaixonado pela sua arma; diz-lhe que, a despeito do péssimo estado das estradas cobertas de neve, estreitas e com rampas fortíssimas e malgrado a observação inimiga, tornava-se mister a colocação de um canhão 57 nas primeiras linhas. O Tenente Paiva procurou e descobriu bois, construiu estradas e, sob o manto protetor da noite, cumpriu a missão. Fez mais, conseguiu dez granadas explosivas não sabemos onde. Em seguida, o comandante do batalhão disse ao Ten Paiva que sua missão era destruir os tanques de Pietra Colora na madrugada do dia seguinte. Fez mais, combinou com o dedicado Tenente Coronel Gorreta um conjunto de tiros para o mesmo momento e distribuiu missão às metralhadoras e morteiros do Batalhão para a mesma hora.
Às 05:45h do dia seguinte, antes que os tanques iniciassem sua “brincadeira”, o batalhão fez um verdadeiro São João.
Não havia um ponto da frente alemã que não fosse contemplado com um tiro! O feitiço contra o feiticeiro. Nós é que fizemos a alvorada. Surgiram os tanques e o Sargento Azevedo comandante de uma peça de canhão 57 mandou-lhes uma rajada de granadas explosivas. Os tiros da Artilharia e dos morteiros eram absolutamente precisos. Alarmou-se o inimigo, julgando-se sob a preparação de um vultoso ataque a iniciar-se imediatamente. Desencadeou sua barragem, soltou uma série de sinais luminosos, movimentou-se e denunciou suas posições. As metralhadoras do batalhão caçavam os “super homens”. O canhão 57 atingiu um tanque. Desde então, o Fritz diminuiu seu entusiasmo. Nossas armas deixaram suas posições suplementares [para esta ação] e voltaram às posições principais. O comandante do Batalhão mandou para o Ten Cel Gorreta uma caixa de cigarros “Londres”, presente do Ten Gonçalves, como retribuição ao precioso auxílio da Artilharia.

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