CRÔNICA 54
A
campanha oficial da candidata do PT começa mal. Repetindo procedimento usado
quando na Casa Civil, recorre a desculpas inconsistentes e à mentira para se
desviar das criticas. Como ministra, encaminhou o PNDH/3 a seu chefe, que disse
ter assinado sem ler, quando cresceu o repúdio da sociedade. Ela, que coordenara
a elaboração, lavou as mãos e fugiu à responsabilidade, como se tivesse sido
mera portadora. Agora, culpa assessores por erro na entrega de documento com seu
programa de governo à Justiça Eleitoral, depois que aliados do PMDB reagiram a
seu texto, por conter exatamente os mesmos temas polêmicos do PNDH/3.
Controle
social da mídia, taxação de grandes fortunas, apoio ao MST, redução da jornada
de trabalho, revisão da Lei da Anistia, legalização do aborto, são alguns dos
combustíveis inseridos na plataforma eleitoral, copiados daquele tristemente
famoso programa de direitos humanos, que continua percorrendo trajetória
incendiária, promovida pela ala mais radical do PT. Rubricada pela candidata,
esta usou o argumento desgastado de que assinou sem ler, para fugir à cobrança
dos aliados. A terceira repetição dos fatos - quando foi aclamada candidata
assinou o programa do partido com todos os extremismos que agora voltam a
constar - leva a considerar que sua intenção era mesmo apresentar o texto
original.
Três
tentativas de impingir ao povo as teses intervencionistas e estatizantes da
extrema esquerda petista são suficientes para trazer à luz a ideologia da
candidata. É a mesma do seu tempo de subversão, de incorporação a organizações
guerrilheiras que exibiam em seus estatutos o propósito de instalar no país o
regime socialista – marxista. Nunca a renegou. Ao contrário, sempre que se
refere àquele passado, orgulha-se. Retomando os mesmos objetivos, tenta agora
viabilizar a ditadura de esquerda com os instrumentos legais que a democracia
põe a seu alcance. Joga a sorte apostando nos caminhos intrincados da burocracia
e nos calhamaços que poucos se dispõem a ler. Se,
acaso, alguém vier a reclamar, é fácil pôr a culpa em executante de baixa
hierarquia e substituir o texto.
O novo programa apresentado, rotulado de provisório, não vai além de remendo mal
feito. Ainda estão lá algumas ideias originais, agora camufladas e mascaradas,
deixando aberto o caminho para voltarem. A elas se juntam, como cópias em papel
carbono, as propostas de Lula no programa de 2006 para sua reeleição. Colagem
feita por quem não tem ideias próprias, deixa em maus lençóis o dono original.
Se as propostas estão sendo repetidas pela candidata, é por não terem sido
implementadas pelo antecessor.
O
episódio não é mero incidente de campanha. A apresentação de programa de governo
no ato de oficialização das candidaturas é uma exigência da legislação
eleitoral. Obriga o candidato a expor suas ideias, convicções políticas,
projetos, para dar embasamento à escolha do eleitor. Se foi entregue documento
que não expressava o programa, o descuido é injustificável. Por sorte, houve a
reação, que serviu para acionar as sirenes de alerta de todos os cidadãos
escabreados com repetições de
desmentidos. Vão se convencendo de que não apenas fumaças, mas um fogo capaz de
carbonizar as instituições democráticas é alimentado por notórios extremistas
com altas responsabilidades na campanha. E de que Dilma, enquanto não renegar
com total transparência seu credo ideológico do passado, estará afinada com as
estratégias de seus assessores.
Fugindo
a debates e entrevistas inopinadas, gaguejando em discursos não escritos,
surpreendida por tumultos em atos públicos que obrigam a alterar programações,
ouvindo reclamações de aliados que se sentem alijados da campanha, a candidata
passa a impressão de insegurança quando não tem ao lado seu grande cabo
eleitoral. Este promete engajar-se a fundo, nos fins de semana e fora do horário
de expediente, como se existissem, para chefe de governo, horas em que deixa de
sê-lo. É de se prever que o empenho deflagrará mais multas eleitorais,
somando-se às seis já aplicadas, dando
triste exemplo de desrespeito às leis pela maior autoridade do país. Deverá
também eclipsar ainda mais a candidata, exposta como jarrão a ser admirado pelas
virtudes e ideias do dono, de quem continuará fazendo eco. Apesar da triste
figura, ganhará eleitores, conquistados não por ela, mas pelo aplauso a Lula.
As
urnas dirão se em número suficiente para levá-la à vitória.