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O “Sobrenatural da Silva” (vulgo Mito) e o futuro nacional
 
Ternuma Regional Brasilia
 

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

As décadas de 80 e 90 foram, sabidamente, perdidas pelo Brasil, em vários aspectos, mormente na área econômica, principal dínamo para o ambicionado surto desenvolvimentista.

Motivos conhecidos, como administrações desastrosas e o hábito de dilapidar os recursos do tesouro, sem que os seus malversadores sejam responsabilizados, podem ser alinhados como propulsores de uma gastança à larga e sem critérios, ou melhor, com a intenção de beneficiar indivíduos, compadrios, grupelhos e partidos políticos. O resultado foi que no período a Nação pouco progrediu e, em alguns aspectos, regrediu.

No início do século XXI, o mundo em geral vivenciou uma fase de desenvolvimento. Na onda progressista, afloraram os países emergentes, os BRIC. O Brasil, um deles, caracterizou-se por modestos avanços, apesar de o momento ter incrementado o comércio global, em particular, graças ao crescente mercado chinês. Em suma, os outros avançaram e nós patinamos.

Ao final da 1ª década, assistimos a uma inversão. A economia mundial baqueou. No entanto, os países do BRIC, após uma breve pausa, deslancharam. O Brasil, apesar de superar por incúria o mau momento, parecia que aproveitaria a fortuita oportunidade. Ao que tudo indica, já estamos patinando ou tropeçando nas próprias pernas.

Ao eleger e reelegermos um crápula, que poderá ser nomeado o “Sobrenatural da Silva”, decretamos, no mínimo, a perda de mais uma década.

De fato, aumentamos o consumo pelo consumo. Em decorrência, com pesados impostos o governo alcançou recordes de arrecadação. Era a hora de incrementarmos o esperado desenvolvimento. Contudo, elegemos um inconseqüente, um narcisista em busca de idolatria.

Assim, sem aproveitar os bons ventos jogamos fora mais uma oportunidade.

O “Sobrenatural da Silva”, como o dono da chave do cofre, foi muito além do que percebe a nossa vã filosofia, pois sem limites, abriu sua algibeira de bondades e para aquinhoar dividendos eleitoreiros, não vacilou em inflacionar salários, e em inchar a máquina administrativa; da mesma forma para agradar governos de esquerda, diletos tiranos e seletos amigos entronizados pelo Foro de São Paulo, e projetar-se no exterior, imiscuiu-se em assuntos da mais alta sensibilidade, na simplória esperança de que a sualábia seria o suficiente para solucionar querelas centenárias, quando não milenares, isto sem antes posar de novo rico, doando recursos, perdoando dívidas, e sacramentando péssimos negócios para a Nação, tudo sob os olhares reprovadores de economistas conscienciosos.

Mas, as suas patacoadas econômicas cobrarão num futuro próximo um alto preço, como demonstra a nossa dívida pública, que já ultrapassou um trilhão de reais, pois os recursos captados foram dilapidados pela falta de investimentos primordiais, por ora, suficientes apenas para a manutenção da nababesca estrutura governamental, gastança liderada pelo perdulário executivo.

Em síntese, além do nosso PIB ser inferior ao dos demais países do BRIC, pouco ou nada de relevante foi construído para sedimentar o desenvolvimento esperado, ou diminuir o elevado “Custo Brasil”, e as más noticias são potencializadas quando comparamos os nossos ridículos investimentos para a pavimentação do nosso futuro, com o dos outros países.

Quando chegar a hora da verdade, as futuras gerações, certamente, com dedo em riste, nos acusarão de incompetentes e inconseqüentes.

Infelizmente, envergonhados, baixaremos a cabeça.

Brasília, DF, 21 de junho de 2010