|
|
|
] |
Ternuma- Bsb NOSSOS VIZINHOS DO NORTE
Crônica 50 Definitivamente, é mister reconhecer que o venezuelano Hugo Chaves exerce liderança decisiva em nosso subcontinente. Excetuados Colômbia, Peru e Chile, todos os demais, inclusive agora o Brasil, seguem sua cartilha, para transformar a América do Sul em confederação bolivariana. São dois os eixos da estratégia em execução: a implantação do socialismo autoritário e a sistemática condenação dos que praticam a democracia tradicional. . Se considerarmos as recentes atitudes e declarações de representantes de nosso governo e de seu próprio chefe no campo da política internacional, chegaremos à conclusão de que as simpatias nunca negadas e os aplausos imerecidos ao governante venezuelano foram potencializados pela diplomacia de confronto, que nele se inspirou. Assim o mostra acachapante derrota no Conselho de Segurança da ONU, em que todos os integrantes, com as únicas exceções da Turquia e do Brasil, aprovaram a aplicação de sanções ao Irã, pela insistência em prosseguir no seu programa nuclear. De uma incoerência para outra, de derrota em derrota, que seria longo enumerar, vai por águas abaixo a pretensão de ocupar cadeira permanente naquele Conselho. Segue mesmo destino o respeito que nosso Itamaraty sempre mereceu no concerto das nações, desde Rio Branco. Seguindo o exemplo de Chávez, fazemos alarde de aproximação com países que têm baixa nota de conceito internacional e nos contrapomos a aliados de longa data. Preferimos defender um país que promete varrer Israel do mapa, ameaçando a paz mundial, para contrariarmos os que lutam por ela. Arriscamos fragilizar relações econômicas com nosso principal parceiro comercial, os EUA, sem nada colher de palpável daquele que nos aceitou como advogado. Lastimável é que nosso governo aprendeu mal as lições de seu mentor. Este não perde oportunidade de culpar a democracia americana e seus capitais por todas as falhas de infraestrutura que não soube corrigir em tempo, mas é seu principal fornecedor de petróleo. Sabe que tem cliente cativo, dada a economia no transporte, pela pequena distância que os separa. De nosso lado, não temos produtos essenciais a oferecer, em nossa balança comercial. E corremos risco de perder tarifas preferenciais nas exportações que a eles se destinam. É sabido que não é amizade que aproxima nações. São interesses mútuos. Alianças políticas, intercâmbio comercial, fluxos de turismo, complementaridades industriais, investimentos empresariais, acordos de defesa, entre outros. Se analisarmos apenas esses, são muitas as afinidades com os EUA. E com o Irã, quantas? Para exemplificar apenas com o comércio, de janeiro a março deste ano, importamos US$5,66 bilhões dos EUA e exportamos US$4,23 bilhões. Com o Irã, importamos US$34,7 milhões e exportamos US$35.0 milhões. As diferenças entre um e outro vão a mais de três zeros... Antes da vírgula. A atual política exterior não busca interesses de Estado. Procura satisfazer a megalomania de um governante que quer se projetar no cenário mundial como ex-torneiro mecânico que se tornou estadista. Abandonou o equilíbrio e a ponderação que sempre regeram nossas relações internacionais, para seguir caminhos de socialismo extremado preconizados pelo Foro de São Paulo, de que é fundador e mentor seu assessor especial Marco Aurélio Garcia. Quer ser incensado como messiânico defensor dos pequenos, mesmo que, para tal, considere útil instalar embaixadas em Botsuana, ou em Santa Lúcia, São Cristóvão e Néris, São Vicente e Granadinas. (Para poupar tempo do leitor, o primeiro país fica na África e os demais são pequenas ilhas do Caribe). O Congresso, por desinteresse ou falta de visão, aceita, sem interrogações ou críticas, os despautérios cometidos. Aprova nomeações de embaixadores, ininterruptas viagens ao exterior, arbitragens não pedidas e mal recebidas, como Israel x Palestina e Irã x ONU. O cenário que nos espera, caso o voto consciente não interrompa a continuidade de comando petista, virá carregado de tintas mais fortes. O dossiê de aloprados que se preparava na casa sede do comitê eleitoral de sua candidata comprova que o PT não abre mão dos procedimentos antiéticos que vieram à luz no “mensalão” e em outros escândalos. Até por que os envolvidos seguem impunes. Não deve enganar a ninguém o discurso eleitoral simpático da “sucessora”. Seu próprio comportamento, antes guerrilheira e terrorista sem escrúpulos, hoje se valendo da mentira para fugir a responsabilidades, projeta o que será o Brasil sob seu governo. Para nossa sobrevivência, é imperativo que lutem por seus anseios os cidadãos que querem viver e legar a seus descendentes uma nação livre e democrática. Corremos risco semelhante em 1964, porém os perigos são agora muito maiores, com a maciça infiltração da ideologia socialista-marxista em toda a estrutura da administração pública. Não será pela força das armas que será neutralizada, mas pelo poder do voto. Voto se conquista e, hoje em dia, não apenas por campanha eleitoral. A internet é veículo de grande permeabilidade, que está ao alcance de mais de 60 milhões de brasileiros. É usá-la, pondo de lado o comodismo e o alheamento, para construir o futuro que desejamos.
|