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Ternuma- Bsb
O Paraplégico
Caros amigos Estive, ontem, 16 de abril, no Ministério da Defesa para assistir a passagens de funções de amigos que chegam e saem do Ministério. Solenidade longa, mas muito significativa e cheia de boas revelações, pelo menos para mim. Pude constatar que o ambiente de trabalho e o relacionamento entre os integrantes do mais alto nível do MD é muito bom, excelente, poder-se-ia dizer. Parece-me que o Sr Ministro está perfeitamente integrado e assimilado no tradicional ambiente de camaradagem que tão bem caracteriza as relações na caserna. Escutei dois longos elogios, lidos e comentados pelo próprio Ministro Jobim, como bem recomenda a prática da liderança. Constatei a perfeita integração do Ministro e de sua esposa com a família de seus subordinados mais próximos, bem como a valorização e a prática do bom humor, componente essencial do relacionamento entre soldados. Dos comentários jocosos, feitos à parte dos textos, pude deduzir que o Sr Ministro, embora gaúcho e, possivelmente, um bom ginete, nada entende da prática do pólo, esporte nobre e viril, pois julga ser o manejo do taco semelhante aos trejeitos de alguns diplomatas do nosso Itamaraty. Dos mesmos comentários, também percebi que aprendeu a identificar a arrogância até nas demonstrações de impulsividade, mesmo quando apresentadas como características da ansiedade natural e salutar dos soldados de Cavalaria. Das palavras dos militares que se despediam, pude apreender que o Sr Ministro conta hoje com elevado prestígio e o reconhecimento de valor por parte de seus subordinados, o que, sem dúvidas, é muito bom. Concluí também que o Ministro Jobim, após entender que a defesa do Estado não é uma tarefa apenas dos militares, advoga, com veemência, pela conscientização do segmento civil da sociedade brasileira para a importância do tema, em todos os seus extratos, níveis e setores de atividade. Pude, com prazer, compreender, por todas as falas que ouvi, que oMinistério da Defesa está pronto, estruturado e, principalmente, motivado para exercer suas funções e transmitir as ordens de execução das estratégias, planos, programas, ações e projetos que assegurarão a proteção do patrimônio e a tranqüilidade necessárias para o desenvolvimento de todas as potencialidades nacionais. Após os discursos, no entanto, tentando interpretar e assimilar todas as lições e mensagens que recebera, não pude evitar a vinda à minha mente da imagem angustiante de um paraplégico. Vi o MD como o cérebro de um gênio, brilhante, ativo, motivado e criativo, mas incapaz de fazer chegar ao restante do corpo os estímulos que dele emanam.A imagem é dramática, mas é real. Não é, seguramente, definitiva como a irrecuperabilidade de um paraplégico, mas é, neste momento, a melhor imagem que pude fazer da crença sincera que percebi nas mensagens que ouvi. Rogo ao Deus dos Exércitos, invocado nas falas da solenidade, para que a eloqüência e a confiança, demonstradas por todos, se transformem em tenacidade e desassombro capazes de impor-se à vontade, ou à má vontade, dos que têm o poder para transformar a retórica em estímulo a ser percebido, o quanto antes, pelo corpo das tropas já depauperado pela prolongada inação.
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