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                                       RETRATOS DO ATUAL GOVERNO
                                                              Ternuma Regional Brasília
                                             Gen Ex Armando L. M. de Paiva Chaves

I - POLÍTICA EXTERNA
CRÔNICA 37                                                               
A atividade desenvolvida por um governo em suas relaçőes com outros estados soberanos e instituiçőes internacionais é chamada de política externa, ou política exterior. Envolve todos os campos relacionados com outros países, como os da política interna neles praticada, cultura, comércio, defesa, assinatura de tratados e resoluçőes.

Por extrapolarem a vida nacional, com efeitos refletidos sobre outras naçőes, as decisőes de política externa adquirem um caráter de relativa permanęncia. Sobrevivem à duraçăo de governos que assumiram a responsabilidade de executá-las. Eis porque ultrapassam limites de políticas de governo e se constituem em políticas de estado.

Nos dois mandatos de governo do PT, os rumos aplicados à política externa trazem preocupaçăo aos cidadăos que acompanham seus desdobramentos. Sua tônica tem sido um flagrante aplauso à socializaçăo dita "democrática" e a aproximaçăo ostensiva com governos totalitários, que desrespeitam direitos humanos, sufocam a livre expressăo do povo e dos veículos de comunicaçăo.

Săo muitas as comprovaçőes.

Quando ocorreu a ocupaçăo das refinarias da Petrobrás na Bolívia, nosso governo ignorou a violęncia manu militari, admitiu o direito de país soberano de desapropriá-las e aceitou as condiçőes financeiras impostas, lesivas ao patrimônio da empresa proprietária. Como justificativa, argumentou com a pobreza do agressor militarmente fraco, necessitado de ajuda para reverter o quadro de sua economia.

Situaçăo semelhante ocorreu no Equador, onde grande empresa brasileira contratada para obras hidroelétricas foi expulsa do país e dois de seus dirigentes receberam voz de prisăo. Nenhuma atitude foi tomada por nosso governo em sua defesa.

No Paraguai, o presidente que se elegeu fazendo campanha pela revogaçăo do Tratado das Cataratas obteve o que reivindicava. O tratado foi alterado, com a aceitaçăo tácita do Congresso e enorme prejuízo financeiro para nós, sob o mesmo argumento de que o país mais pobre deveria receber ajuda.

Cuba mereceu investimentos milionários com recursos do BNDES (seja: dos brasileiros que pagam impostos) e visitas freqüentes, como a mais recente.
Nessa, a morte de um oposicionista em greve de fome recebeu de nosso presidente comentários deploráveis, como o que o comparou a bandidos presos em nossas cadeias.

A Venezuela, que também é aquinhoada com milionários contratos de interesse discutível, tem os atos antidemocráticos de seu governo ( como a desapropriaçăo de empresas de agronegócio, o fechamento de veículos de comunicaçăo e a repressăo violenta a manifestaçőes da oposiçăo popular ) aceita com a desculpa de năo interferência em seus assuntos internos.

Ao contrário, Honduras, que teve seu primeiro mandatário deposto por decisăo da Suprema Corte, referendada pelo Congresso, teve o dissabor de assistir ao acolhimento de Zelaya como hóspede de nossa embaixada durante meses, aonde exerceu, sem qualquer constrangimento, atividade política.  Eleito seu sucessor definitivo, nosso governo năo o reconheceu até hoje.

Solidário com o Chile destroçado por terremoto, Lula deixou às pressas a posse do presidente eleito do Uruguai, ex-tupamaro, para uma rápida visita ao país arrasado, ainda governado por presidenta de esquerda. Poucos dias depois, deixou de comparecer à posse de seu substituto, empresário de centro que derrotou a coligaçăo dominante desde o fim da era Pinochet. Năo deu explicaçăo sobre a interrupçăo da rotina de prestigiar as cerimônias de assunçăo de novos presidentes sul-americanos.

Os acontecimentos até aqui citados tęm coerência em seu vínculo ideológico: o socialismo eufemisticamente qualificado de "democrático", propugnado pelo Foro de Săo Paulo. Em suas reuniőes, dá assento tanto a governos de esquerda quanto a organizaçőes terroristas, como as FARC colombianas e o MST patrício. De lá saiu a inspiraçăo para negar a extradiçăo do assassino italiano Battisti e devolver a Cuba atletas que aqui pediram asilo.

Incoerente é a aproximaçăo com o regime fechado do Iră, que nega o Holocausto, propőe-se a tirar Israel do mapa mundial e insiste, veladamente, em tornar-se potęncia atômica. Ou com a ditadura de Kadhafi na Líbia. Ou com o inexpressivo Gabão, onde nosso presidente disse que iria aprender como se faz para ficar 37 anos no poder. Ou com a paupérrima e ofensiva Coréia do Norte, que ameaça seus vizinhos com bombardeio nuclear.

Lula declara sua rejeiçăo ao comunismo e, no campo interno, dá mostras de convicçőes democráticas, pouco cedendo às tendências socializantes de seu partido. Em contrapartida, no campo externo, segue o aconselhamento de seu assessor Marco Aurélio Garcia, secundado pelo áulico Celso Amorim. Os fatos, consumados, săo de retorno difícil. Mas, e o futuro? Que diretriz de política exterior seguirá, se eleita, sua candidata, com o passado de que se orgulha, guerrilheira e terrorista que se empenhava em implantar a ditadura do proletariado? Como poderá contrariar seus partidários, esquerdistas tăo radicais quanto ela?

Há sobejas razőes para preocupaçăo.