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                                                            ANO DE ELEIÇŐES
                                                                                                       Ternuma Regional Brasília
                                                   Gen Ex Armando L. M. de Paiva Chaves

Crônica 34                                                (20 Fev 2010)

É comum ouvir-se que, em nossa terra, para assuntos importantes, o ano só começa depois do carnaval. Já estamos na quaresma, tempo de penitęncia e reflexăo para os cristăos. Como eles, mesmo os que năo o săo podem se penitenciar da omissăo com que viram caminhar a vida pública e refletir sobre como agir para contribuir a seu aperfeiçoamento, neste ano eleitoral.

Soluçőes milagrosas năo existem. Entretanto, está ao alcance de todos exercer sua cidadania. Debruçar-se sobre o perfil dos candidatos para escolher os mais confiáveis e promover sua preferęncia no círculo de relaçőes. Muitos de nós somos como formiguinhas, com pouca força para abastecer de votos o formigueiro.
Mas lembremo-nos de que nossa força advém de sermos muitos. Outros há que tęm grande poder de influęncia, mas frequentemente só o utilizam em proveito de seus próprios interesses. E existem, finalmente, os que descarregam a responsabilidade pela correçăo de rumos sobre instituiçőes que năo recebem delegaçăo para tal.

Entre esses últimos estăo os que acusam de omissăo as Forças Armadas. Năo cabe a elas interferir nas tendęncias da política.

 Diz o artigo 142 da Constituiçăo Federal: As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, săo instituiçőes nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se á defesa da Pátria, á garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Săo guardiăs da sociedade, instrumento do Estado  a Pátria - que assegura o império da lei e da ordem.  Năo lhes é dado nterpretar, a seu talante, se uma ou outra está ou năo vigendo. Suas armas năo existem para derrubar governos ou ignorar as escolhas feitas pelo voto. Existem
para defender a Naçăo de ameaças externas ou internas e, sempre que chamadas pelo Executivo, o Legislativo ou o Judiciário, garantir a lei e a ordem. Tęm mandato perene. Em seu caráter permanente, repelem o suborno e săo imunes á subservięncia.

Em 1964, quando intervieram, atenderam a apelo maciço da populaçăo, temerosa da comunizaçăo em curso pela măo de Joăo Goulart, que se valeu da quebra da hierarquia e da disciplina para tentar imobilizá-las na inoperância, sem que Legislativo e Judiciário reagissem. As Marchas da Família com Deus pela Liberdade, em Săo Paulo e no Rio săo registros históricos que o comprovam. As manifestaçőes da imprensa, antes e depois de 31 de março, idem.

Quem pode mudar o rumo político é o voto.

Além dos políticos, quem tem força e meios para influenciar resultados é o empresariado. É ele quem tem de pensar no depois de amanhă, quando seus  empreendimentos forem frustrados pela autoridade do pretendido Estado Forte. 
Veja-se o que está acontecendo na Venezuela, com o fechamento de canais de informaçăo, a desapropriaçăo de supermercados e de propriedades agropecuárias.
Lá o Estado é forte porque todo o poder está nas măos do Executivo, ao qual o Legislativo e o Judiciário săo totalmente submissos.

É o empresariado que produz a riqueza que engorda ou míngua nosso PIB. Que dá emprego e paga salário aos trabalhadores. Que faz girar a ciranda da oferta e da procura, da compra de insumos e da venda do produto acabado. Que financia os meios de comunicaçăo com os anúncios de seus produtos. Que alimenta, proporciona lazer, medica, transporta, constrói moradias e as mobília para a populaçăo. Que contribui com fabulosas somas para alimentar partidos e candidatos nas campanhas eleitorais, em escolhas duvidosas ou distribuindo recursos sem scolher, para garantir vantagens com quaisquer resultados.

Se há omissăo, o grande omisso é o empresariado. Com o grande poder de  influęncia que detém, usa-o para promover seus interesses imediatos, míope para o de vir e para riscos de inviabilizaçăo futura de seus negócios.

Dos políticos, nem falar.