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                                                           FAZER POLÍTICA

                                                 Ternuma Regional Brasília

                                                                                          General de Exército A. L. M. de Paiva Chaves


CRÕNICA 23 -  31 Out 2009

A quem ocupa um cargo de chefia, na administração pública ou privada, é impositivo fazer política, ou seja, colocar em execução seu planejamento estratégico. É, portanto, planejar, executar e conquistar aprovação para o sucesso dos planos, seja na dotação de recursos, seja na adesão dos executores, seja na satisfação dos beneficiados.

Fazer política não é, pois, atividade reservada aos políticos. Nem é menos nobre do que quaisquer outras, embora o uso vulgar da expressão carregue, quase sempre, velada ou ostensiva conotação depreciativa.

Quando se analisa o desempenho de governo, salta à vista que faz política. E muita. Porém a visibilidade do planejamento e da execução está comprometida.
Seus projetos de aprovação nos espaços nacional e internacional e de continuidade no poder de seu partido têm tido sucesso inegável, graças aos êxitos econômicos, ao socorro pelo Bolsa Família à população mais pobre, à folgada maioria no Congresso e ao invejável poder de comunicação do presidente.
Não se pode dizer o mesmo em muitos outros campos. Seguem-se alguns poucos exemplos, de muitos que poderiam ser relacionados.

 O Plano de Aceleração do Crescimento - PAC, o primeiro em dois períodos de governo voltado para a infraestrutura, patina lastimavelmente em avanços pífios. O mesmo ocorre com a ambiciosa transposição das águas do São Francisco.
O contrabando de armas, que servem ao narcotráfico, continua crescendo. A segurança pública é um desastre, com registros de repasses de verbas muito aquém do programado e do necessário. O Exército faz meio expediente duas vezes na semana, obrigado a economizar na alimentação dos militares. Os celulares continuam entrando e operando nas penitenciárias, facilitando o comando dos chefes do tráfico presos. Apesar do bom desempenho na pasta, o Ministro da Educação amargou o vazamento das provas nacionais do ENEM, com ainda incalculados prejuízos aos cofres públicos, o desgaste na credibilidade do exame e os custosos contratempos impostos aos candidatos.

A primeira causa dos insucessos é a falta de planejamento estratégico integrado, envolvendo todas as estruturas interessadas, coordenadas sob a autoridade indiscutível do próprio presidente. Por não existir, a infraestrutura nacional está em frangalhos. A saúde só acorda para a necessidade de amparar e tratar os viciados em crack quando a mídia denuncia o abandono. O superfaturamento de empreiteiros de obras públicas só vem a furo quando é denunciado por auditorias do TCU. O único capítulo do planejamento governamental que funciona a contento é o do campo político, porque tem a comandá-lo a sagacidade, a ambição e a autoridade do chefe do governo. Se tivesse disposição - que mostra não ter - e tempo, muito do qual as viagens internacionais consomem, poderíamos ter avanços significativos em outros campos, favorecendo sua imagem, corrigindo o presente e preparando o futuro, hoje alvo de sombrias preocupações.

Outra causa é a qualidade dos servidores. A máquina de governo cresceu desmesuradamente em quantidade, como mostram as estatísticas de pessoal e a exorbitância de gastos. Mas tem mostrado que não cresceu em qualidade. É compreensível que se dê emprego e recorra à colaboração de partidários, desde que tenham experiência e competência para exercer os cargos que assumem. E não parece que esta seja a regra e sim a do apadrinhamento, antes privilégio do Congresso. O citado ENEM exemplifica o desastre de iniciativa inovadora de um ministro realizador por culpa de auxiliares despreparados ou desmotivados.

Finalmente, a satisfação dos beneficiados. Ocorreu, sem dúvida, com a isenção do IPI sobre automotores e eletrodomésticos. Mais ainda com os inscritos no Bolsa Família. Seguramente também com os exportadores, na esperança de que o IOF sobre aplicações de estrangeiros na Bovespa refreie a valorização do real em face do dólar. Ao contrário, não pode haver satisfação com rodovias precárias que põem em risco a vida e os veículos dos usuários. Com um SUS que atende muito precariamente pacientes, depois de horas em filas aguardando sua vez. Com favelados, seus filhos e vizinhos sob constante ameaça de balas perdidas, nos confrontos da polícia com criminosos. Com uma política exterior impregnada de ideologia esquerdista, que compromete nossa tradição de neutralidade, apela ao princípio de não-ingerência em proveito de aliados ideológicos e o ignora quando contraria os mesmos, aduba relações com governos ditatoriais e corruptos em nome de um pragmatismo que não conhece limites. Com a queda vertiginosa do superávit primário, sem qualquer medida para reduzir os gastos públicos. Com o desaparelhamento gritante das Forças Armadas, que vivem de promessas não
cumpridas e de sua irrepreensível disciplina.

A população brasileira, e não apenas os poucos setores atendidos, anseia por uma vida digna para si, seus filhos e netos, proporcionada por políticas que tragam benefícios a todos, indiscriminadamente, fruto de um planejamento com visão de futuro que seja executado e fiscalizado. Só assim o governo estará fazendo política maiúscula, para colher a aprovação do povo que representa.