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                                            CIDADE MARAVILHOSA
                                                    Ternuma Regional Brasília
                                                                                              General de Exército A. L. M. de Paiva Chaves
CRÕNICA 21              18 Out 2009
                                               
O Rio tem pela frente o desafio de se preparar para sediar jogos da Copa de Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Nas notícias sobre o ambicioso planejamento, o que se vê ocupando os maiores espaços de bilionários investimentos são os projetos de obras, indiscutivelmente necessárias para a realização dos eventos esportivos, hospedagem de competidores e transporte.
Pouco se ouve da habilitação de milhares de pessoas, em educação, cortesia e idiomas, para acolher condignamente visitantes de todo o mundo. Menos ainda se fala da segurança pública, seguramente o problema mais sério a resolver.

O tema segurança é assunto de preocupação na maioria das grandes cidades brasileiras, mas em nenhuma é tão relevante como no Rio. Exemplo lapidar é o recente confronto de gangues rivais no narcotráfico, tendo como palco favela de Vila Isabel. Resultou na morte de dois policiais, dez meliantes, destruição de vários ônibus e de um helicóptero da polícia, abatido a tiros. Comprova o verdadeiro exército de marginais, dotado de armamento superior aos dos órgãos de segurança e até mesmo das Forças Armadas, que infelicita a vida dos pobres favelados.

O estado fluminense vem agindo com energia no combate ao narcotráfico, porém os resultados não são convincentes. E não o são porque o negócio é muito bom. Há sempre voluntários, muito bem remunerados, para substituir os que são presos ou mortos. E também há sempre voluntários muito bem remunerados, para adquirir a droga.

A proibição do fumo em locais públicos fechados tem produzido bons efeitos nas estatísticas sobre os números de fumantes e, reflexivamente, nos gastos em saúde com as vítimas do tabagismo.

A severidade na punição de infratores de trânsito que dirigem alcoolizados vem, aos poucos, reduzindo as estatísticas de acidentes provocados por motoristas bêbados.

Em contrapartida, discute-se, com figuras de renome defendendo a causa, a descriminalização dos usuários de drogas. O argumento mais eloqüente é de que o viciado é um doente, a ser tratado e não punido. Em paralelo, poder-se-ia dizer o mesmo dos dependentes do fumo e do álcool. A réplica é de que o vício destes agride a sociedade, ao contrário do primeiro.

Existirá maior agressão à sociedade do que a contínua realimentação do narcotráfico, que só subsiste por haver consumidores dispostos a pagar preços de ouro para alimentar seu vício, aqui e no mundo todo? E onde se situam eles, se não nos extratos mais bem remunerados?

Sem a "expertise" dos doutos na matéria, o modesto bom senso aconselha que mereça ser pensada estratégia diferente para combater o narcotráfico e restituir o clima de segurança às grandes cidades: combater, com o mesmo aguerrimento, traficantes e usuários. Desta forma, se os vendedores enfrentam a repressão para conservar seus altíssimos ganhos, o temor das penas da lei, como ocorre com o álcool e o fumo, poderá levar à redução do consumo de drogas e ao encalhe da oferta.

Se a tese é válida, há que defendê-la. Países adiantados não a adotam. Insistem no combate ao tráfico e são tolerantes com o consumo. Aqui, para inverter a equação, só uma campanha da cidadania consciente, de grande envergadura, produzirá resultado. É possível, como o foi a coleta de mais de um milhão e trezentas mil assinaturas de eleitores para propor ao Congresso a inelegibilidade de condenados em primeira instância. Bastará optar e agir.