Ternuma-Bsb

IMIGRAÇÃO E CULTURA
 
Ternuma Regional Brasília
 
General de Exército ALM de Paiva Chaves
 
CRÕNICA 20           (12Out 2009)
                                                     

Circula na internet matéria sobre estatísticas demográficas da imigração muçulmana para países desenvolvidos. Os números e as conseqüências visualizadas preocupam.

Antes alinhar reflexões sobre o tema, cabe questionar o título "Nova Invasão Bárbara". Teria sido bárbara a conquista árabe da Península Ibérica, que lá erigiu maravilhas arquitetônicas até hoje subsistentes e admiradas? Ou a simplicidade de representação gráfica dos algarismos, universalmente utilizada?

Ou a grandiosidade do Império Otomano, que dominou por séculos territórios e culturas, do Danúbio ao Eufrates? Não parece justo o qualificativo nova, que condena à barbárie grandes contribuições muçulmanas à civilização.

Nos tempos atuais, o julgamento é outro. A intolerância racial e religiosa arma-se de poder destruidor, em nome de uma "guerra santa" que apostasia princípios consagrados e distorce os ensinamentos do Corão. É exemplo emblemático o ataque e destruição do Word Trade Centre. Seguem-no os inumeráveis atentados suicidas no Iraque, Paquistão, Indonésia, Afeganistão, Palestina, Israel e frustrados na Europa. E a negação, pelo Presidente do Irã, do genocídio judeu perpetrado pela Alemanha nazista.

No mesmo passo, a estratégia da infiltração. Alimentada por dificuldades de vida no mundo árabe, pela queda da natalidade nos países europeus e conseqüente demanda de mão-de-obra, em contraposição à fertilidade dos casais islâmicos, a imigração faz crescer exponencialmente sua participação nos percentuais da população das regiões onde se instalam. Rejeitados de convivência e integração pelos nacionais, conservando seus costumes e práticas religiosas, tendem a desenvolver sua própria cultura e formar um tumor que vai crescendo até comprometer o organismo onde se instalaram. As previsões assinalam que, dentro de vinte anos, a Europa será predominantemente muçulmana.

A sobrevivência foi sempre, no mundo, a motivação para a imigração. Levou a riqueza econômica e cultural, bem como a expansão territorial e populacional, aos EUA. No Brasil, em contingentes muito menores, trouxe grandes benefícios.

Em ambos, houve integração, miscigenação e interpolação cultural. A fertilidade é também uma constante nas populações mais pobres e menos instruídas. África, Indonésia, Índia e mesmo o Brasil são exemplos. A China, por lei, limitou a geração a um filho por casal, para conter a explosão demográfica.

Para nós, parece não haver risco imediato. A população segue crescendo, embora em ritmo menor. A imigração, relativamente pequena, não compromete os efetivos nacionais.
 
Não há resistências à integração, à miscigenação e à absorção de culturas. Tampouco se acelera o crescimento islâmico.

Não se justifica, entretanto, que desconheçamos uma ameaça latente, inicialmente ignorada e agora incontornável, em países altamente desenvolvidos. Nosso progresso econômico e a imagem crescentemente favorável que exibimos ao mundo deverão atrair para nós olhares de imigração.

Um caminho a seguir é a reprodução. Também aqui, a taxa de fertilidade dos extratos mais pobres continua alta, enquanto a dos mais ricos vem decaindo a nível de risco. Os progressos científicos no conhecimento do genoma humano e na fertilização artificial dão hoje a todo casal a possibilidade de gerar filhos. A lei de reprodução das espécies impõe a geração como condição de sobrevivência. A taxa mínima de dois filhos por casal, nos segmentos de renda mais alta, deve ser assegurada, para que não caiamos no plano inclinado de regressão cultural. A ascensão econômica dos mais pobres, estimulada por programas de governo, dará a complementação necessária.

A preservação da cultura autóctone é outro meio. Temos uma história rica, de ampliação territorial sem guerras de conquista. Exceção no mundo, falamos a mesma língua no espaço nacional de dimensões continentais. Em nossa tradição pacífica, só fomos às armas para defender nossas fronteiras e nossos valores, aqui ou além-mar. Pintura, escultura, arquitetura, música e folclore têm muito a mostrar e guardar, numa diversidade que incorporou contribuições exógenas e guardou as identidades das diversas regiões.

Por fim, o alicerce de toda cultura: a educação. Temos progredido, mas ainda é alto o índice de analfabetismo e de alfabetizados que não são capazes de compreender o que lêem. Com nacionais habilitados a concorrer com vantagem na oferta de empregos, desestimularemos as imigrações maciças e as que recebermos poderão ser absorvidas  e integradas, sem ameaça à nossa cultura.

Se o tema gerar preocupação, não há porque ficar inativo, mas discuti-lo e produzir sugestões. A mesma internet que o trouxe à luz é caminho ágil para tal.