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Mercadante – Um desmoralizante recuo
Ternuma Regional Brasília
Hoje (21 de agosto), assistiríamos a uma improbabilidade. O Senador Mercadante deixaria o seu posto de líder da camarilha do PT no Senado. Não testemunhamos o milagre.
O nosso mais melífluo exemplo da “esquerdalha” declarava-se enojado com a postura indecente de seus colegas parlamentares oriundos do PT que, descaradamente, buscavam resguardar o Senador Sarney, um caso exemplar de cretinismo bem sucedido, além do desclassificante empenho do executivo em blindar a indigesta figura.
Com seus liderados, postava–se contra as recomendações de seu chefe, empenhado em preservar o Presidente do Congresso a qualquer custo, inclusive com a perda da dignidade (dos outros, é claro)
Não era a primeira vez que o nosso irredutível Senador torcia o nariz para a desmoralização de seus pares. Como nas outras, negaceara, pronunciara-se revoltado, enojado, mas... ao final não resistira às suas raízes e desistira de qualquer atitude que pudesse colocá–lo na berlinda dentro do partido, e o pior, cair em desgraça junto ao seu guru.
Bastou um colóquio com o mestre para, obedecendo a uma ordem, voltar atrás e discursar. Voz embargada, pausa nos momentos adequados, mais parecendo um cachorro abandonado. Voltou atrás, mas “como um herói”, dirão os seus admiradores.
“Recuperou a razão”, saudaram os “cumpanheiros” petralhas.
Foi uma retirada estratégica. Um bom petista se engrandece até na asnice. Vide o seu ícone, capaz de emitir uma besteira por dia e, em todos, se fortalecer e crescer nas pesquisas populares. Os disparates e as contradições são o seu adubo. Quanto mais “non sense”, mais aplausos. É um espanto.
O Mercadante, por certo, cresceu, ficou maior e mais maleável, menos convincente, entretanto, quanta grandeza, quanta coragem, quanta coerência. Quanta fidelidade.
Um homem com h (minúsculo) é isso, “quebra,... mas não enverga”.
O Senado Mercadante possui como predicado, o que podemos chamar de fidelidade canina, pois aborrecido com o Partido, contrariado com seu “capo”, bastou conversar com ele, para desistir e, simploriamente, como se fosse a coisa mais natural, subir ao Plenário e, de público, desnudar a sua subserviência.
Mas o fez com pompa, como se houvesse vencido uma intensa batalha e, no seu entender, ao desistir de confirmar seu tresloucado gesto, seu servilismo fora mais forte do que os seus princípios.
Tolos os que acreditaram que das declarações e rompantes anteriores sairia algo aproveitável. Se ocorresse, seria a contradição de gestos e atitudes passadas. Muitos, já se esqueceram da eleição para o governo de São Paulo, quando a equipe do Senador foi pega com o dinheiro da propina destinada a desmoralizar o Alckmin.
O Senador saiu incólume, como se o ato desonesto fosse realizado pelos seus “cumparsas” (mais adequados do que “cumpanheiros”) fora planejado e executado sem o seu conhecimento. O golpe baixo (felizmente frustrado) foi classificado pela metamorfose como impensado ato de cumpanheiros “aloprados”.
Alguns podem elogiar os gestos de eivada fidelidade, uma virtude que espera–se seja um apanágio de indivíduos de caráter. Contudo, é bom lembrar, que a fidelidade não pode desculpar a tudo, pois podemos ser fiéis ao mal, ao péssimo chefe, às idéias malsãs, assim como o Duque é fiel ao Sarney e as malfadadas SS foram fiéis ao Hitler.
Após o evento de retratação acerca de sua recaída, o Senador voltou a ocupar em nosso conceito, o lugar que sempre ocupou o de...
Recordem a sua performance no CCJ do último dia 18 de agosto, ao questionar, duramente, a ex-secretaria da Receita Federal, Lina Vieira, declarando–a “omissa e, portanto, responsável por não ter levado à justiça, caso a Ministra Dilma houvesse, realmente, pedido para ela agilizar a fiscalização nas empresas do filho do Sarney”.
Diante da frágil senhora, estava o gigante. Incisivo, inquiridor, ameaçador, intimidador. Felizmente, a ex - secretaria não medrou.
Brasília, DF, 22 de Agosto de 2009.