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   SARNEY NÃO É CORRUPTO, É VITIMA DA INCOMPREENSÃO...

                         Ternuma Regional Brasília
Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira

O Senador José Sarney vive hoje o seu inferno astral. Até então, na moita ou fingindo-se de morto, enquanto o Brasil dormia, ele e a sua “tchurma” fincavam as garras no Maranhão e no Amapá.
No Maranhão, de sua paradisíaca ilha (a sua “quinta”), ele domina o incauto Estado. Lá, desde o nascimento até a morte, você estará adentrando em berçários, escolas, universidades, hospitais, logradouros, aeroportos, autarquias, tribunais e edifícios da administração pública estadual e cemitérios designados com o nome dos heróis da ilustre família, quando não do próprio.
Existe, até um prédio público, o “Memorial Sarney” (o estado está tentando recuperar a posse do imóvel, mas qual...). É a sua pirâmide.
Exposto de leve, o ilustre legislador tornou-se uma unanimidade. Mas, de acordo com o próprio, apenas para as classes A e B. O que interessa são as classes C, D e E. “Estas, nem sabem o que está se passando”. O medonho, é que o “incomum” está coberto de razão. Ele conhece o seu eleitorado.
Mesmo sob um “tsunami” de irretorquíveis denúncias, ele não sai. Nem a tapa. Os motivos são vários.
Podemos adivinhar que o apoio de seus pares (pelo menos 55 senadores, inclusive do nosso mandatário), decorre de duas vertentes: a do escuso e imoral interesse; e, a da solidariedade. Conhecemos a dos “interesses”.
Não confundamos, contudo, a fidelidade que aflora da sincera amizade, dos laços de respeito que brotam entre indivíduos de propósitos elevados e que costuram o congraçamento de idéias e ideais, com a cumplicidade advinda do acobertamento, do conluio e do disfarce.
A solidariedade que une a canalha é a do mais torpe significado. A bandalha solidariza-se na escamoteação, no erro, no equívoco. De fato, escuda–se na permissividade. Neste caso, a solidariedade não pode comparar–se à fidelidade dos justos, mas à matreirice dos astutos e mal-intencionados.
Como criminosos pegos com a “boca na botija”, rebelam-se, esbravejam, lamentam-se como pobres vítimas, enchem–se de falsos brios e gritam. Na verdade, estão acuados. Sua solidariedade ao bufão é apenas de aparências. Temem que ao cair a primeira carta, o castelo de infâmias que construíram, desabe. Por isso, blindam-se, desacreditam as denúncias, desmoralizam e difamam denunciantes. E assim, se perpetuam.
Insanos e injustos os que se atrevem a denegrir este ser “incomum”, um injustiçado senador, do mais sofrido estado da federação, que conseguiu com seu inaudito esforço “construir” uma fortuna de mais de 250 milhões de reais e estabelecer um “império”.
Pensam que é fácil? Em 54 anos de vida pública labutar (?) em prol da população e, ao mesmo tempo, amealhar um patrimônio invejável?
Assistimos aos seus dois discursos de defesa, inflados de indignação e lamentos. O homem é uma vítima. Concluímos, pelas patéticas palavras do acusado, que ele aparenta estar acima do que lhe acusam, e que, absolutamente, não incorporou na sua amoral consciência que usou de má fé, que cometeu abusos de poder, que se locupletou e sabe - se lá (sabemos) quantas coisas mais.
Dizem que o poder corrompe. Podemos complementar que ele acostuma mal aos seus detentores, que aos poucos extrapolam e incorporam no seu imaginário, capacidades e direitos além de suas prerrogativas. O cachimbo da impunidade entorta–lhes a boca.
Infelizmente, afagados por um séquito de bajuladores e incólumes em suas práticas personalistas e indevidas, eles avançam, sem pudor e sem freios, nas consciências, nos direitos, nos bolsos e, naturalmente, se auto - proclamam em entidades acima das leis e dos demais mortais. Por isso, cremos, piamente, na sinceridade do Senador. Ele fez e faz o que sempre tem feito, isto é, usado e abusado dos brasileiros, sem o menor remorso, decorrência de um direito adquirido (?); logo sua consciência está tranqüila.
Eles são ingênuos e não patifes (Renan, Collor, “ele”...). O Sarney é um deles. Acredite quem quiser.
Brasília, DF, 07 de agosto de 2009