Ternuma-Bsb
VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA”
Ternuma Regional Brasília
Gen Ex Armando Luiz Malan de Paiva Chaves
O mundo todo assistiu ao confronto eleitoral que levou à presidência dos EUA um
cidadão comum, nascido numa ilha longínqua, de pai africano e mãe americana
Ganhou de ex-primeira dama a preferência dos democratas. Suplantou, por larga
margem, o poder republicano instalado. Embora senador, era cidadão comum. Não
fazia parte do círculo dos poderosos que influem decisivamente nos rumos da
nação-líder.
Seu feito deveu-se, sobretudo, a méritos próprios. À eloqüência e consistência
de sua pregação. À pertinácia de sua campanha. À imagem própria e de uma vida de
família que adversários não puderam macular.
Mas deveu-se, principalmente, à capacidade de ação que conseguiu aglutinar.
Acendeu a cidadania de jovens que não se interessavam pela política. Fez deles
cabos eleitorais voluntários e aguerridos. Estimulou e viu consolidar-se
estupenda cadeia de propaganda, que ia de contatos porta a porta até a
utilização intensiva da internet. Para suporte da campanha, amealhou fabulosa
soma de recursos, em grande parte oriunda de milhões de pequenas contribuições
espontâneas. Cidadãos comuns, como ele, quiseram desempenhar seu papel na
mudança que sonhavam ver acontecer.
Nós, brasileiros, estamos fugindo à luta.
Enumerar todos os males que nos assolam seria repetitivo. Há anos se arrastam
processos escandalosos de apropriação indevida de dinheiros públicos; de compra
de votos e consciências de parlamentares; de licitações fraudulentas; de crimes
de morte de conotação político-partidária, sem solução. O Congresso é muito mais
uma caixa de benefícios indevidos e exorbitantes a parlamentares e funcionários
do que uma casa de leis. O Judiciário tem sua autoridade maculada por juízes
venais, que não são punidos com a severidade que seus pecados merecem. A mais
alta corte põe em risco a soberania nacional, com decisão que concede
continuidade a reserva indígena de grande superfície, estendida ao longo de
fronteira não vivificada.
A comunicação de massa – a mídia – faz bom uso da liberdade de imprensa, que
oxigena e fortalece a democracia. Denuncia, cobra respostas e soluções. Mas
também ela tem suas fragilidades, suas dependências do poder, para alcançar
objetivos empresariais. Temas como os assassinatos do prefeito de Santo André e
testemunhas, os dólares apreendidos durante a campanha para o governo de São
Paulo, caem no esquecimento. Inexplicavelmente.
Cabe aos brasileiros que se escandalizam com os arquivamentos ou a miopia da
mídia sacudi-la em seus brios. Questionar esquecimentos, omissões e silêncios,
suspeitos de cumplicidade. Todos sabem quanto isso é difícil. O quarto poder é
cioso de sua independência. Não aceita ser criticado. Quanto mais poderoso,
tanto menos humilde em suas falhas. Mas, frequentemente, cede à pressão de
massa. E, nos dias atuais, é mais fácil exercer pressão de massa, com os
recursos da internet. Usando-a, é possível acessar os blogs de jornalistas e os
sites de jornais e canais de televisão.
Também a internet é veículo para mensagens a parlamentares. Por meio dela, é
possível cobrar posicionamentos, apoiar iniciativas, sugerir propostas, criticar
atitudes.
Falamos, acima, de pressão de massa. Não havendo massa, não haverá pressão.
Antes, lembramos o efeito de massa nas eleições norte-americanas, depois do
verso “Verás que um filho teu não foge à luta”. É impositivo ir à luta, em
massa, se queremos para nossos filhos e netos um Brasil mais puro do que temos
hoje.
O brasileiro que vai à luta não arremeterá sozinho contra moinhos de vento. Com
sua pitada de levedo, estará fermentando a massa, que irá ocupar espaços na
opinião pública desinformada, ou desinteressada, ou acomodada por benesses.
A quantos lerem estas linhas, proponho que não se limitem a criticar, em roda de
amigos. Mas que arregimentem o maior número que puderem, para congregá-los na
massa de pressão. Que façam suas críticas circularem pelos correspondentes de
e-mail. Que as enviem a jornalistas e à mídia a que tiverem acesso. Que
descubram veios por onde possam impregnar consciências e cidadanias letárgicas.
Quem escreve não é um jovem frustrado em suas esperanças, em busca de armas para
combater injustiças, sanear a coisa pública, exigir bom desempenho de quem o
representa. É um octogenário que não aceita viver no ócio, mesmo com dignidade.
Que, em todos os seus dias, conjugou, com fervor, o verbo SERVIR e não se
conforma em assistir, impassível, à deterioração dos costumes, públicos e
privados.
Mais aptos do que ele, sem dúvida, existem muitos, capacitados a explorar com
desembaraço os avanços tecnológicos.. Servidos por mentes ágeis, encontrarão
instrumentos mais eficazes e maior eloqüência para se fazerem ouvidos e
seguidos.
A eles desejo passar o bastão, nessa maratona de revezamento. Que aceitem
recebê-lo. E ganhem a corrida.